COUTADA NOSSA
Coutada nosso berço natal
terra de raízes e tantos frutos.
Coutada nossa casa sem igual
desde o rio ao penedo fusco.
Coutada rica de festas e belos ritos
pelo natal, entrudo e na páscoa.
Suas vozes soam nas janeiras frias
e na encomendação das almas.
Coutada minha e tua sempre nossa
De saudade e vida é sua História
na memória egrégia dos nossos.
Coutada nosso berço único
a que a vida nos traz de volta
'inda que peregrinos até aos ossos.
(Proença-a-Nova, 31 de Março de 2012
Bernardo Couto)
PÁSCOA
Páscoa da Ressurreição
Da Vida sempre renovada.
Páscoa da libertação
Dia diferente na caminhada
desta peregrinação terrena.
Páscoa de Jesus-Cordeiro
No Gólgota imolado.
Páscoa de Cristo-Rei
Pelo povo crucificado.
Páscoa de Cristo Redentor.
Páscoa da Ressurreição
Humanidade redimida!
Páscoa da Libertação
do povo no mal oprimido.
Páscoa de Novo Mundo!
(23-04-2011, PªNova, Bernardo Couto)
Sai o velho, entra o novo em rebuliço
Sai o velho realizado em frustração.
Entra o novo em mar d'aspirações, iludido.
Vai-se o velho, vem o novo, pois então!
Sai o velho caduco, entra o novo com viço.
Sai o velho decadente, esgotado (n)o tempo.
Entra o novo folgazão para cumprir serviço.
Vai-se o velho, vem o novo, no seu tempo.
Sai o velho, entra o novo, outro ano.
Entra o novo todo esperança e alegria.
Sai o velho trelido, sem remendo o pano.
Vai-se o velho, vem o novo. É a roda da vida!
Sai o velho, entra o novo para alento.
Renovam-se votos e sentimentos,
Juras, promessas para todo o sempre.
Entra o novo, sai o velho, no seu tempo.
POESIA COM PÊ DE PAI
Poesia tem pê de Pai
e do pão que ele nos dá.
Tem por igual no verso a rima
do parto que nos dá vida.
Tem a poesia da paz o pê
em voo ligeiro de pena.
E tem no pê de cada dia
o parto que nos deu vida.
Unidos poesia e pai
sentimos em noś o calor
do amor que nos afaga
do pai bom porto d'abrigo
das águas sal feito de dor.
Pê de Pai nosso carinho!
(Bernardo Couto - PªNova, 19Março2012)
Primavera d'esperança
Lá vem ela, a primavera!
Vem bela de mui florida
nas mimosas amarelas,
rosas, cravos e tulipas,
giestas e rosmaninhos!
Já chegou a primavera
moça folgazona e fresca
nos verdes campos a florir
e as crianças a correr
de pedra em pedra o arroio!
Céu azul d'estrelas e luar
é a primavera amena.
Vai-se o frio d'enregelar
vem o calor que nos queima.
Desnudam-se já os corpos.
Vai-se o inverno de velho,
chega alegre a primavera!
Esvoaçam aves nos céus
do mar ao monte em chilreios.
Renasce a vida esperança!
(Bernardo Couto, PªNova,20 Março 2012)
Um qualquer lugar por palco,
o aconchego do xaile e o trinado da guitarra,
o eco do ir e vir das gentes e do mar
em canto, a saudade, é o FADO!
(Bernardo Couto) 28Jan2012
75 anos a dar voz e a fazer História
Os três directores de “A Comarca a Sertã” merecem todo o aplauso e admiração pela
coragem, afirmação e persistência na edição do semanário regionalista que ora perfaz
75 anos. Bem andou Eduardo Barata da Silva Corrêa quando meteu mãos ao
lançamento de “A Comarca da Sertã” mas a longevidade deste jornal da zona do pinhal
em muito se deve à personalidade do homem frontal e justo, do cidadão humanista, o
saudoso Amaro Vicente Martins.
De parabéns está o seu actual Director João Miguel Barata Martins, que desde 2005
tem corporizado “A Comarca da Sertã”, numa linha editorial de continuidade na defesa
dos interesses das populações, denunciadora de precariedades sociais, de vilanias,
mostra de véus da corrupção, divulgadora de boas práticas de acção colectiva, do
desporto e da cultura. A Comarca da Sertã tem sido voz de aspirações públicas das
gentes da Sertã e de toda a comarca mas também lugar de fazedores de opinião, críticos,
comentadores e cronistas sociais, porque jornal paladino do direito da liberdade de
expressão. Inegável arauto da cultura, merece o reconhecimento público e o apreço
pessoal pela total abertura às colectividades e escolas, na prestação jornalística de
efectivo e bom serviço à educação, ao desporto e à cultura.
São sem dúvida 75 anos de acção jornalística com brilho de diamante.
22 de Abril de 2011
Alfredo Bernardo Serra
Vida Outono
Outono,
muda-se o tempo lá fora,
Vem a chuva e o vento varredor.
Cai na rua ao de leve a folha caduca
em ar funéreo por esse mundo fora.
Esfria-se a vida nas relações sem amor.
Fenece a vida de caduca a folha.
O tempo é de cinzas, é Outono!
PªNova, 13 Nov 2011
Abdicar do Natal não!
Neste natal de néon e fantasias
mil estrelas nos céus por magia
Recuso-me ao comércio a esmo
Porque quero Natal de se viver.
Por isso, eu grito qu’ abdico
Deste natal sem sentido.
Demito-me de ser comprador
Nesta coisa do natal comércio.
E afirmo que só em paz e amor
Quero viver o natal do presépio.
Não sei se vale a pena celebrar
Assim o natal virtual só engano.
Mas sei que não quero continuar
A fazer parte de tal rebanho.
Por isso, eu grito qu’ abdico
Deste natal sem sentido.
E digo não àquela aldrabice
Do trenó puxado por renas.
Por isso, eu não quero ser
Pai Natal em fantasia.
Por isso, eu grito qu’ abdico
Deste natal sem sentido.
E de novo ao mundo grito:
Quero o Natal a sério!
Por isso, não deixo com fé
De adorar a Jesus Menino.
Bernardo Couto
Proença-a-Nova, 20 de Dezembro de 2010
Crónicas da Condição Humana - coluna periódica em publicação no jornal mensal "Ecos da Sobreira", desde Julho de 2008.
http://www.paroquiadesobreira.com