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Domingo, 1 de Julho de 2007

GESTÃO DE PROXIMIDADE - O PODER À ESCOLA

 PODER À ESCOLA: autoridade, competência, sucesso, gestão e proximidade

 

Alfredo Bernardo Serra

 

 

Os tempos portugueses que correm, parecem marcados na voz Cassandra e velhos do Restelo, pelo secular atraso, pela peculiar característica portuguesa, anotada por Eduardo Lourenço em “O Labirinto da Saudade”, “pobres com mentalidade de ricos”.

O panorama educativo também não escapa a tais aforismos culturais, confundindo-se realidade com utopia, baralhando-se os conceitos de educação e ensino, saberes, conhecimento e senso comum no mesmo prato da balança. O respeito pelo outro, a aceitação da autoridade, a cultura da disciplina e do trabalho/estudo na base da exigência, do rigor e da avaliação são valores arredados da cultura relacional da sociedade com a escola.

Por outro lado, o laxismo, o facilitismo e a bonomia de uma certa direcção das escolas são marcas negativas que importa equacionar e erradicar do sistema educativo.

É tempo de dar lugar ao sempre eterno papel da escola: formar cidadãos.

Mas para que a escola cumpra a sua missão é fundamental que à escola sejam devolvidos os princípios reguladores e os direitos afirmativos da sua acção, entre outros: autoridade, direito de disciplina, exigência, rigor, direito de avaliar, direito de opção metodológica ao nível da didáctica e do modelo pedagógico, mas também na escolha pelo paradigma de gestão do estabelecimento.

Neste sentido, a escola pública, não obstante ter por ideário nuclear os princípios e valores culturais inscritos na Constituição da República, deve poder apresentar à comunidade educativa um ideário mínimo que, em espaço, tempo e órgão próprios, será objecto de desenvolvimento e aprovação pela mesma comunidade educativa. Na mesma linha, a cada escola deve reconhecer-se o direito de autoria de regulamento próprio, nos termos de regime jurídico nacional balizador, como dispositivo de afirmação do poder e da autoridade institucional da escola.

O direito de opção pelo modelo didáctico-pedagógico deve ser entendido como instrumental para a melhor realização do projecto educativo da escola, para satisfação das expectativas da comunidade servida pela escola.

Porém, para que todo este processo de devolução da identidade da escola se viabilize, é fundamental devolver-lhe o poder, legitimar a sua autoridade na competência afirmada em dois actos, no acto de ensinar e de educar, no cumprimento integral das finalidades educativas previstas na Lei de Bases do Sistema Educativo, cuja consecução é suposto ter por resultado o cidadão autónomo, participativo, em suma, um indivíduo capaz de se afirmar em plenitude como ser social.

No entanto, a esperada acção educativa, instrucional, formativa da escola, para ser eficaz, requer uma gestão assumida, uma gestão tecnológica, uma gestão onde a liderança é marcante, uma gestão assente na execução de projecto. Todavia, uma gestão escolar assente no paradigma da autoridade e da competência tem necessariamente de ser uma gestão feita no respeito pelos direitos humanos, pelo valor do trabalho digno e exercido na dignidade, com sentido ético e deontológico de toda a profissionalidade na escola. Impõe-se, portanto, uma gestão assumida por quem sabe do ofício.

A escola, enquanto oficina da humanidade (Comenius), não pode e não deve ser dirigida como uma qualquer fábrica ou empresa em que o sucesso é sinónimo de lucro.

A escola tem de ser governada com sabedoria, no recurso à tecnologia, entenda-se saber/conhecimento/competência – knowhow-, ou seja, os tempos modernos exigem uma gestão protagonizada com profissionalismo: uma direcção assente no conhecimento científico do primado da pedagogia, uma administração suportada na técnica, no saber-fazer, uma governação escolar baseada no Direito; mas também e necesariamente uma gestão escolar caracterizada pela proximidade às pessoas, aos agentes sócio-económicos-culturais da comunidade educativa.

Aliás, o sucesso da gestão duma escola depende do apoio, da colaboração e do envolvimento de toda a comunidade escolar, pelo que também por isso se justifica uma cultura de proximidade na governança da escola.

publicado por AlfBernardo Couto às 16:48
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2 comentários:
De tavares-conimbriga a 9 de Julho de 2007 às 11:41
Olá Bernardo
O teu poste constitui uma peça de grande alcance na temática da gestão escolar. Muito bem escrito, subscrevo-o integramente pois corresponde ao que sobre a gestão das escolas penso.

"A escola, enquanto oficina da humanidade Comenius ), não pode e não deve ser dirigida como uma qualquer fábrica ou empresa em que o sucesso é sinónimo de lucro." Realço este parágrafo pois, de facto, a escola , a escola pública, não pode ter por objectivo o lucro económico, sem prejuízo de que a sua gestão seja feita atendendo à racionalização dos recursos e pelo apelo a uma gestão profissionalizada, sempre entre docentes a quem deve ser exigida uma formação acrescida para uma gestão de qualidade.
Vir ao teu blogue foi para mim uma agradável surpresa, está com muita qualidade, vou aprender por aqui!
Um abraço do
José Tavares
De AlfBernardo Couto a 13 de Julho de 2007 às 13:41
Agradeço tanta generosidade. Bem-haja pela apreciação tão reconfortante. Ainda bem que há alguém mais que partilha d aminha visão gestionária da escola.
Abraço
AlfBS

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