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Sexta-feira, 12 de Abril de 2013

O Relativismo das coisas

                      O RELATIVISMO DAS COISAS

 

 Alfredo Bernardo Serra

 

O poeta Sebastião da Gama escreveu: “ Aqueles que fazem da sua roupa a parte principal de si mesmo, normalmente não têm mais valor do que ela.»

Rebuscamos este pensamento em associação ao conceito do relativismo definido, lato sensu, como «característica do que não é tomado em sentido absoluto, do que depende de outra coisa.» Mas no contexto da reflexão a que nos propomos, importa considerar o relativismo à luz da filosofia, designadamente no paradigma Kantiano segundo o qual o espírito apreende apenas o que se encontra no plano dos fenómenos; logo, atemo-nos ao conceito de relativismo enquanto «doutrina que afirma a impossibilidade de se conhecer a verdade absoluta; conjunto de princípios que considera que os valores morais, estéticos… são variáveis, dependendo de circunstâncias de vária ordem.»

Nesta linha de pensamento, centramo-nos na negação do relativismo moral: «doutrina filosófica que defende que os valores do bem e do mal não são fixos, variam de acordo com os tempos e as sociedades, sem que haja um progresso nessas variações.» e na perspectiva do relativismo objectivo, segundo o qual a realidade é tão só um sistema de relações. Neste quadro de relações de nível interpessoal e no global da sociedade, é a conduta de cada pessoa determinada pelos seus valores, os quais são definidos pela Sociologia como «a expressão de princípios gerais, de orientações fundamentais e primeiramente de preferências e crenças colectivas.»

Na sociedade constituída por homens e mulheres, emergem com certeza os valores aportados por uns e outros. Nos tempos que vivemos, constatamos relevantes e preocupantes mudanças no quadro de valores sociais, morais e estéticos, ganhando terreno o relativismo. Com frequência ouvimos dizer: isso é relativo, depende, era assim mas agora não, os tempos são outros, é tudo diferente.

É relativo o modo de ser e de estar na vida e na sociedade, isto é, tem-se a atitude e o comportamento ajustado ao lugar e ao tempo, o que mais importa é estar e ir na onda; relativiza-se o interesse colectivo em favor do objectivo individual; relativiza-se o valor da vida no aborto livre e sua legalização, relativiza-se a velhice na desvalorização do papel dos avós, relegando-os para um ambiente de depósito. É relativo o Amor que levou ao casamento, sucumbindo a relação à primeira contrariedade e ao egoísmo. Relativiza-se o valor dos sacramentos do baptismo e do matrimónio, atos litúrgicos pedidos à Igreja por tradição, porque é uma cerimónia bonita em fotografia e filme, porque sim, fica bem aos olhos da sociedade local, da família e para os amigos convidados. Relativiza-se a condição humana no género, valorando-se a homossexualidade como fenómeno quase-padrão. Relativiza-se o modelo de família quando se permite a adopção de criança por dois homens ou duas mulheres que vivem em relação homossexual. Relativiza-se assim a importância da figura do pai e da mãe, com todos os malefícios que tal causa na formação da personalidade e do carácter daquela criança.

Enfim, relativiza-se a vida e tudo o que dela faz parte, porque o importante é o bem-estar individual e ser bem visto aos olhos do outro. Relativiza-se o significado da moral, o valor do mal e do bem.

A inversão desta cultura do relativismo exige acção persistente e determinada nos diversos campos sociais: na escola, junto das famílias, nos grupos de jovens, na comunicação social, para que se retomem os valores humanistas, no valor da criação, na defesa da vida, pela norma social ajustada à própria vida e organização social natural, no respeito e consideração da natureza humana, na base da pessoa dotada de razão e de espírito. Pessoa que é preciso educar porque «o homem não é mais do que o produto da sua educação.» (Helvetins,1772) e «a educação visa o melhoramento geral da sociedade, que deve levar à paz universal.» (Comènius, 1592-1670).

É urgente combater a cultura do relativismo das coisas, é preciso combater causas que são tão contra-natura quanto contrárias à realização do ser humano, ao próprio Bem.

Proença-a-Nova, 20 de Março de

publicado por AlfBernardo Couto às 00:25
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