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Segunda-feira, 21 de Maio de 2018

SOMOS MODERNOS

CVIII- CRÓNICAS DA CONDIÇÃO HUMANA

*Alfredo Bernardo Serra

SOMOS MODERNOS

 É próprio da condição humana usar da liberdade individual e da autonomia pessoal para emitir opinião sobre tudo e acerca de nada, na confirmação do provérbio “cada cabeça, cada sentença”.

Nos alicerces do conhecimento da vida quotidiana são determinantes: a realidade, a interacção e a linguagem e conhecimento da vida no dia-a-dia; já para a realidade social objectiva associam-se a institucionalização e a legitimação, ao que, necessariamente, há que acoplar a interiorização na construção da sociedade como realidade subjectiva, o que promove alterações na estruturação social e na(s) identidade(s) da comunidade e dos povos. Neste plano da construção social da realidade, é determinante a «cultura» que “é do homem, a partir do homem e para o homem (…) caracteriza o homem e distingue-o dos outros seres.” Ensina ainda S. João Paulo II que “o objectivo primário da cultura é o de desenvolver o homem enquanto homem, o homem enquanto pessoa, ou seja, cada homem enquanto exemplar único e irrepetível da família humana.”, sendo que “o objectivo da verdadeira cultura é fazer do homem uma pessoa, um espírito plenamente desenvolvido, capaz de chegar à perfeita realização de todas as suas capacidades.” (Papa S. João Paulo II, Universidade de Coimbra, 1982)

Há dias, num programa TV, mais de entretenimento social com laivos de (pseudo)cultura do que olhar sério sobre a realidade social, a pivot reportava os casamentos de noivos de Santo António e Às tantas disse com ar um tanto “alegre” algo como «agora já quase não se casa pela igreja» e acrescenta, quiçá em ‘pro domo sua’ (causa própria): “somos modernos”.

No cenário infernal dos fogos florestais, dizem uns entendidos na matéria que “fogos rurais”, ouvem-se milhentas vozes e tantas mil opiniões do anónimo popular ao mais categorizado cientista em biodiversidade, investigador na prevenção e combate aos fogos, político decisor em matéria de planeamento e ordenamento do território, protecção civil, e demais áreas da realidade social. Certo é que muito se fala e pouco se cala, e nada se faz em interacção institucional para alterar o que está mal. Mas compram-se os modelos técnicos mais recentes e adquire-se a tecnologia mais sofisticada de combate aos eventuais fogos, não se apostando a montante nas estratégias activas de prevenção e educação ambiental das pessoas. Bastaria para tanto que se recuperassem práticas avoengas de reciclagem e aproveitamento (bio)lógico de recursos naturais da biodiversidade.

Mas “somos modernos”!

Nos últimos dias, estivemos já assediados por comícios-festa de apresentação de candidatos à governança autárquica (eleições a 1 de outubro). E lá vêm os esterótipos da suposta “modernidade” impulsionados pelo que há de mais peculiar na tradição do povo: o convívio salutar à volta dos comes e bebes, ambiente de festa politiqueira que a literatura oral-popular tão bem traduz: “com papas e bolos, se enganam os tolos”. Mas é preciso dar ares de modernidade!

Bom seria que ao púlpito no coreto subissem homens e mulheres de cultura, pessoas que vivem nos valores da matriz judaico-cristã da sociedade europeia, gente com coragem para as políticas que tardam em defesa da pessoa, da dignidade da vida e da matriz cultural portuguesa, nesta lusa pátria que D. Afonso Henriques consagrou a Nossa Senhora, Santa Maria.

 Proença-a-Nova, 21 de Junho de 2017

publicado por AlfBernardo Couto às 11:51
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GÉNESIS - A natureza do sexo, não a ideologia de género

CIX - CRÓNICAS DA CONDIÇÃO HUMANA

*Alfredo Bernardo Serra

GÉNESIS - A natureza do sexo, não a ideologia de género

É da condição humana nascer-se homem ou mulher. No livro ‘Génesis’- o primeiro livro da Bíblia- vocábulo grego que significa “origem”, “nascimento”, é-nos apresentada a narrativa da criação do homem e da mulher em linguagem poética e supraracionalidade humana, se quisermos admiti-lo, numa mensagem que remete a criação para acontecimento sobrenatural e torna o homem e a mulher criaturas de Deus:«Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopor da vida, e o homem transformou-se num ser vivo (Gn 2,7). (…) Da costela que tirara do homem, o Senhor Deus fez a mulher e conduziu-a até ao homem.22 Então, o homem exclamou: Estaé, realmente, osso dos meus ossos e carne da minha carne.23 À mulher, Adão deu o nome de Eva, que quer dizer mãe de todos os viventes, pois Eva é termo hebraico ligado à vida.» (Bíblia sagrada, difusora Bíblica, Franciscanos Capuchinhos, 5.ª ed.4.ª reimp.,fev2013).

Vivemos hoje tempos em que sopram como nunca ventos das montanhas e estepes do leste e vozeiros saídos das gargantas de habitantes fantasmagóricos das florestas negras do norte gélido que trazem propostas hediondas duma nova ordem familiar e social. Escudam-se estes agiotas da moral em valores como a liberdade individual, o direito ao amor e o valor da tolerância para justificarem, por exemplo, a externação homossexual, a aceitação social de “casamento?” entre duas pessoas do mesmo sexo e a adopção de criança por essas duas pessoas. Na verdade, toda a pessoa tem direito a ser feliz, assim Deus nos quere a todos, felizes, mas não ignorando as externalidades dos nossos actos e palavras. Como aceitar estas amorais e imorais condutas humanas de pessoas que só vêem o seu umbigo “homossexual”, ainda não cortaram o cordão umbilical no renascer pela 1ª infância ou não resolveram o complexo de édipo ou o de Electra?. Entretanto, uma minoria de pessoas organizadas em grupos de pressão fazem opinião, exercem bullying social e assaltam os media e lugares de decisão superior para se impôr uma determinada “cultura”, a sua visão das coisas, nomeadamente em matérias como ‘barrigas de aluguer’, ‘procriação humana laboratorial’- tipo ‘ovelha Dolley’ sem justificação conexa ad vitae ou a ‘ideologia de género’.  Neste contexto, e convicto de que “promover a ética social por consenso é o mais humano dos procedimentos. E também o mais democrático.” (Ayllón, J. R., Desfiles de modelos-análise da conduta ética,Difel, 2012, p.232), transcrevo de Ayllón a citação de Frei Bartolomeu de las Casas: “Em assuntos que vão beneficiar ou prejudicar a todos, é preciso actuar de acordo com o sentimento geral.” E nesta matéria, é indispensável que a Igreja faça a necessária pedagogia da sexualidade humana e sobre a família conforme A Doutrina Social da Igreja fonteada nas cartas, encíclicas e exortações apostólicas (ex.: Humanae Vitae, Familiaris Consortio, Amoris Laetitia) com dimensão teológica e visão escatológica na garantia do presente bem percorrido pelas humanas criaturas de Deus, que lhes disse: «Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra» (Gn 1, 28).  

Na premissa de que “Deus os fez homem e mulher”, e que o processo natural procriador do ser humano resulta da fecundação consequente da fusão entre o espermatozóide do homem e o óvulo da mulher; e sendo cientificamente comprovado que «O sexo de um indivíduo é determinado por um par de cromossomas ‘sexuais’…designados X e Y. Se a criança recebe um cromossoma X de cada um dos progenitores, será feminina; se são recebidos um X e um Y, o resultado será masculino. Da mãe, a criança só pode receber cromossomas X; enquanto que o pai tanto pode passar um cromossoma X como um Y.” No entanto, sendo esta uma verdade insofismável, importa ter em conta a ocorrência de situações causadas na (de)formação genética por ‘gene recessivo’ transportado pelo cromossoma X. Os que defendem anormalidades na relação humana, talvez antes da verborreia devessem ler os estudos sobre o desenvolvimento genético e o comportamento humano à luz da psicologia genética e da psicossociologia, não deixando de passar pelos manuais de filosofia nos domínios da ética e da moral. A propósito e sobre esta discussão, tomemos por boas e oportunas a corajosa e eticamente assertiva opinião do prof. doutor Gentil Martins sobre os “filhos” do CR7, e as seguintes palavras de José Manuel Fernandes: "É tempo de afirmar, com toda a clareza, que uma coisa é o sexo com que nascemos, outra coisa bem diferente as preferências sexuais que mais tarde descobrimos." (Observador, 17/7 às 20:07, https://www.facebook.com/). Portanto, essa coisa da ideologia de género é não só uma idiotice mas um atentado aos costumes e à boa moral fundacionais da célula social que é a família e cujos pilares são o pai-homem e a mãe-mulher.

Ensina-nos a sabedoria empírica, e o conhecimento científico corrobora, que a figura do pai e a figura da mãe são fundamentais no desenvolvimento integral, harmonioso e equilibrado da criança, mesmo quando o ambiente familiar é marcado pelo conflito e tensões na relação, menos positivo e pouco sereno, na certa de que o pai é a âncora da criança e o coração da mãe é a sala de aula do filho.

Proença-a-Nova, 22 de Julho de 2017

publicado por AlfBernardo Couto às 11:49
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No rescaldo do Verão

CRÓNICAS DA CONDIÇÃO HUMANA – CX

No rescaldo do Verão

É recorrente a época de Verão associar-se à relação do homem com a natureza, donde emergem palavras e conceitos sociais: calor, água, férias, praia, natureza, campismo, festivais, ócio, fogos, bombeiros, negócio, voluntariado…). É comum os dias e noites de Verão serem vividos quase diariamente pela generalidade da população portuguesa (e noutras latitudes do Planeta: Austrália, EUA, …) no sufoco do calor e na relação com os fogos florestais e outras tragédias ‘humanas’, como os afogamentos em piscinas, rios e mares de praia e as mortes por acidente rodoviário. Tudo isto acontece por incúria, desleixo, irresponsabilidade da pessoa no uso abusivo da liberdade humana individual, sem respeito pela vida nem pela liberdade colectiva e a organização social.

É frequente os incendiários de fogos florestais serem julgados inimputáveis, isto é, não pode ser- lhes atribuída responsabilidade culposa pela ignição (atear o fogo), porque - ao que parece - sofrem de perturbações mentais, padecem de doença psíquica, têm problemas de ordem psicossociológica (desemprego, desintegração social, instabilidade familiar, divórcio, alcoolismo, piromania,...).

É da condição humana haver uma relação adaptativa ao ambiente natural enquanto lugar de vida na dimensão existencial da sobrevivência. Ao longo dos tempos, o homem aprendeu a respeitar a natureza das coisas e a usá-las para benefício próprio, primeiramente em atitude recolectora e depois em acção exploradora e transformadora dos bens, por via da agricultura e da pecuária até à industrialização dos tempos actuais. Infelizmente, a relação do homem com a natureza peca por defeito no respeito da natureza das coisas e, desde logo em consequência directa, na salvaguarda do equilíbrio ecossistémico; avoluma-se por excesso a acção exploratória da natureza pelo homem fundada em exclusivo na razão do lucro imediato a qualquer preço. Na Carta Encíclica “Laudato Si”, o Papa Francisco recorda-nos as palavras do Papa Emérito Bento XVI: «a degradação da natureza está intimamente ligada à cultura que molda a convivência humana».

No rescaldo do Verão, é tempo de reequacionar o quadro legislativo e o código de conduta individual e colectiva na relação com a natureza em geral, e com o meio ambiente envolvente do dia-a-dia de cada pessoa ou grupo. E que tudo se faça no princípio do bem comum, que “pressupõe o respeito pela pessoa humana enquanto tal, com direitos fundamentais e inalienáveis orientados para o seu desenvolvimento integral”, como refere o Papa Francisco, que esclarece: «o bem comum requer a paz social, isto é, a estabilidade e a segurança de uma certa ordem, que não se realiza sem uma atenção particular à justiça distributiva, cuja violação gera sempre violência. Toda a sociedade – e, nela, especialmente o Estado – tem obrigação de defender e promover o bem comum” (Laudato Si, p.107).

 Sirva a leitura do sofrimento humano causado pelos fogos florestais, e sobretudo as vidas humanas perdidas nos incêndios florestais, e pelas tragédias no viver afogueado do calor e tempo estival de férias, para se redefinir um outro Plano de Educação para a aliança entre a humanidade e o ambiente, na defesa e preservação da vida humana e do Planeta Terra, a nossa Casa Comum (Papa Francisco) que herdámos de nossos avós para a deixar em herança aos nossos netos.

Neste sentido, é urgente recuperar o respeito absoluto pela Criação e a Vida como dom de Deus.

 Proença-a-Nova, 23 de Agosto de 2017

publicado por AlfBernardo Couto às 11:47
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Perigosa abstenção

CRÓNICAS DA CONDIÇÃO HUMANA – CXI

Perigosa abstenção

  É da condição humana ser gregário e neste sentido assumir-se responsável pela natureza e participante na dinâmica grupal. Todavia, na mesma condição humana emerge tanto a sociabilidade quanto o isolamento social, consequente este da personalidade do indivíduo, causado por factores sociais inibidores os desfavoráveis à integração e bem-estar do indivíduo no grupo/sociedade.

É hoje recorrente o apelo à participação do indivíduo na sociedade. Propala-se a participação activa e a proactividade em função do desenvolvimento social. Promovem-se medidas para a inclusão social, a pretexto da igualdade e do direito à diferença. No entanto, ao nível de pequenos e de grandes grupos, do nível duma pequeníssima estrutura ao grande grupo que é a sociedade dum País, as práticas grupais tendem ao enfeudamento, a palavra válida é a do líder do grupo, não obstante os debates, fóruns de discussão… em suposta democracia. No preenchimento de lugares de chefia e funcionais na gestão da coisa pública tudo é objecto de “concurso público”, dizem, a bem da transparência e da competência. Porém, parece que por esse mundo fora são mais que muitas as ligações de “admitidos” a gente da alta governança e outros poderes intermédios quase sempre na esfera da política e afins.  

Certo é esta virulência político-social atacar de igual modo espectros sociais no plano partidário, desportivo, do cançonetismo, na banca e alta finança, etc. Olhemos ainda para o que acontece na horda de listas eleitorais. Neste campo, tome-se por referência a batalha falante que desce ao maias baixo nível, recuperemos em memória a quantidade de políticos governantes nacionais e autárquicos suspeitos, acusados e alguns julgados por corrupção, suborno, peculato e crimes outros cometidos no governo do erário público.

Decorre disto tudo o isolamento das pessoas honestas, mais capazes e livres no pensamento. Afastam-se do lodaçal as pessoas de bem, sérias, justas e competentes, porque não querem ver o seu nome manchado na sujeira moral, não desejam correr qualquer risco de destruição do carácter, porque é vexante a competência fundada no conhecimento e no saber-fazer estar submetida aos ditames políticos de quem porventura não é capaz nem de governar a sua própria casa, e não olha a meios para atingir os fins.

É assim, por estas e por outras, que a abstenção vai grassando um pouco por todos os cantos deste Planeta Terra. Os homens e mulheres que nem sequer vão votar é já em muitas eleições superior ao número de eleitores que efectivamente assumem no dever de votar o direito a participar na escolha dos decisores e governantes da coisa pública.

Contudo, não pode a abstenção dar lugar ao poder continuado duma minoria só porque é a expressão votante. É tempo de substituir a abstenção pela presença nos actos públicos, a participação naquilo que é de direito individual e colectivo, como a designação de quem governa o que é de todos. Mas também cada um expresse a sua opinião e pela intervenção contribua para que tudo seja conforme à boa moral social, ajustado à tradição e cultura do Povo, no respeito pelos interesses da maioria qualificada sem prejuízo das diferenças naturais imanentes à condição humana.

 Proença-a-Nova, 20 de Setembro de 2017

publicado por AlfBernardo Couto às 11:46
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MISSÃO FAMÍLIA: F.E. – Formar e Educar na FÉ

MISSÃO FAMÍLIA: F.E. – Formar e Educar na FÉ

Alfredo B. Serra

Aprestamo-nos a iniciar mais um ano litúrgico na Igreja de Cristo. Entretanto, começámos o novo ano catequético na invocação do Espírito Santo, com ânimo novo e vontades sinérgicas para a nova evangelização nos tempos que vivemos.

É sobejamente afirmado que vivemos tempos de crise(s): crise de valores, crise económica e financeira, crise social… E de crises se fala também na Igreja Católica desde há algumas décadas: crise de vocações religiosas consagradas, crise de vocações ao sacerdócio, crises no plano da família – casamento sem matrimónio, divórcio,… ; crise na dimensão catequética. Crise da humanidade e sua relação com Deus.

Na experiência da pastoral juvenil nos finais dos anos 70 e princípios de 80 do século XX, a minha geração foi confrontada com este desafio: «É preciso renascer! Palavra de ordem para a juventude e para a humanidade de hoje: “renascer pela Ressurreição de Cristo” que significou uma nova geração, cheia de esperança, como diz S. Pedro» (Barros de Oliveira, 1981).

É na resposta a este apelo cristão e na atitude geracional face à necessidade do renovamento que é fundamental valorizar a família e fazer a pastoral da família nas premissas tão propaladas pela igreja, nomeadamente reforçadas no Concílio Vaticano II e posteriores sínodos dos Bispos, que sintetizamos na exortação do Papa João Paulo II: «O futuro da humanidade passa pela família”» (in Familiaris Consortio, 1981).  Nesta mesma linha, o olhar reflexivo do Sínodo dos Bispos de 2014 conclui: “A família tem para a Igreja uma importância muito especial e, quando todos os crentes são convidados a sair de si mesmos, é necessário que a família se redescubra como sujeito imprescindível par a evangelização. O pensamento vai para o testemunho missionário de tantas famílias” (Spadaro, 2014). Portanto, é indispensável que a família cristã assuma papel relevante na resposta à crise de vocações e desde logo se afirme em plenitude como Igreja doméstica. Neste sentido, S. João Paulo II (1981) diz-nos que: “a família cristã, de facto, é a primeira comunidade chamada a anunciar o Evangelho à pessoa humana em crescimento e a levá-la, através de uma catequese e educação progressiva, à plenitude da maturidade humana e cristã”. Este papel catequético da família deve ser realizado a dois tempos: na iniciação da fé pela educação cristã dentro de casa, pela oração e nos ensinamentos da doutrina da Igreja; na vivência da celebração litúrgica em comunidade de Igreja: participação da família na Santa Missa e demais assembleias de fiéis em oração.

Decorre daqui o valor do testemunho dos pais na vivência da fé para a educação cristã dos filhos. É tempo de os pais ganharem consciência de que não basta matricular os filhos na catequese. Também deles, pais, depende a eficácia da catequese, pelo exemplo na fé.

Proença-a-Nova,Outubro2017

publicado por AlfBernardo Couto às 11:36
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A Vida é fogo que arde… Incendiados, indignados, resignados, esperançados…

CRÓNICA DA CONDIÇÃO HUMANA CXII

A Vida é fogo que arde… Incendiados, indignados, resignados, esperançados…

Alfredo Bernardo Serra

É a condição humana condicionada pelo facto tempo como variável que se faz passado-presente que determina a futura realidade da vida.

O dia 15 (quinze) de Outubro de 2017 não foi só mais um dia terrível de incêndios florestais em Portugal, mas o pior deste Verão, o dia em que ocorreu maior número de fogos nas florestas portuguesas com extensão ao coração de aldeias e vilas do interior até à beira-mar.

A fragilidade do corpo humano foi provada no inferno do fogo. Neste Verão, as labaredas cavalgaram desenfreadamente montes e vales, tudo devorando por extensos hectares de mato e floresta, plantações agrícolas e animais, casebres, casas senhoriais e até escolas; e tantas vidas humanas: mais de cem! E tantos milhares de homens e meios mecânicos usados no combate às chamas com gasto de tantos milhões de euros. Os tantos milhões de euros que podiam ser usados em favor dos cuidados de saúde primária, na segurança no trabalho, na educação e ensino, na prevenção dos riscos de incêndio e desde logo no ordenamento e limpeza da floresta.

Na dor sentida pelas dores de quantos foram flagelados pela praga diabólica dos fogos florestais neste Verão, o arcebispo de Braga diz que os portugueses têm direito à indignação por causa dos incêndios. Em entrevista à TSF, D. Jorge Ortiga afirmou: «Teremos que nos indignar, sem dúvida nenhuma, e exigir que tudo isto suscite respostas bem concretas, de modo a que não fiquemos pelas palavras, pelos discursos e para que algo de novo possa acontecer.» (sic.)

Veio, desde a primeira hora, S.Ex.ª o Sr.º Presidente da República exigir responsabilidades e sentido de Estado perante tão gravosa calamidade pública. Reclamou o povo as ajudas que tanto faltaram na necessidade, depois quase suprida pela solidariedade colectiva; e lá vieram uns quantos abraços-tardios-daqueles que têm responsabilidade política na matéria. E a prova-lo, apresentaram-se de luto perante as vidas escaldadas que escaparam às chamas de Verão.

Apressaram-se agora manifestações e outras movimentações públicas, arregimentadas umas com rosto e outras supostamente de matriz popular, mas onde há mãos controladoras, quem incita as hostes e proclama as palavras de ordem. Certo é que enquanto os “manifestantes” justamente “indignados” estão na rua, os injustamente despojados do que era seu estão nas suas terras a fazer a reconstrução com os laivos da esperança e a força de quem na vida sempre teve de amassar o pão com o suor do seu rosto, na honra do trabalho calejado pela honestidade, os que sabem o que são os sulcos do tempo e o desgaste que deixa a saudade dos que partiram, qual lisura da rocha vergastada pelo vento.

Veio agora, no pp 21 de Outubro, o Governo da Nação anunciar medidas políticas, «Tendo em vista encontrar soluções que permitam responder à problemática da valorização e defesa da floresta, o Governo aprovou hoje um conjunto de medidas que vêm dar cumprimento a três prioridades: 1.        Reparação e reconstrução; 2. Resiliência do território e das infraestruturas; 3.Reforma do modelo de prevenção e combate aos incêndios florestais.»

 Na valorização da condição humana e de tudo o que é fundamental para a vida com dignidade e a preservação da Casa Comum que é a Terra, resta-nos dar tempo no apurar de responsabilidades sobre tantas vidas humanas ceifadas, animais e plantas devorados pelo fogo. Mas mais importa agora recuperar a herança perdida, que as vidas mortas não têm volta!

publicado por AlfBernardo Couto às 11:33
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A Infância da Vida

CRÓNICA DA CONDIÇÃO HUMANA CXIII

A Infância da Vida  

Alfredo Bernardo Serra

 

A VIDA é o sujeito e o verbo. Nela se define, identifica e consubstancia a condição humana toda. Por isso, é da condição humana a vida plena na triangulação corpo-alma-espírito.

Em excelsa oportunidade, deliberou a ONU- Organização das Nações Unidas a criação da UNICEF-Fundo das Nações Unidas para a Infância em 11 de dezembro de 1946. Em 20 de Novembro de 1959 foi aprovada a Declaração Universal dos Direitos da Criança. Em 20 de Novembro de 1989, as Nações Unidas adoptaram por unanimidade a Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC), documento que enuncia um amplo conjunto de direitos fundamentais – os direitos civis e políticos, e também os direitos económicos, sociais e culturais – de todas as crianças, bem como as respectivas disposições para que sejam aplicados.”

Em conformidade com estas práticas da ONU e para que as suas determinações não caiam no esquecimento e sejam efectivamente respeitadas e aplicadas, sob a égide da UNICEF assinala-se anualmente no dia 20 de Novembro o Dia Universal dos Direitos da Criança; no dia 1 de junho de cada ano é também comum assinalar-se o Dia Mundial da Criança.

No sítio http da delegação portuguesa da UNICEF lê-se: «A CDC não é apenas uma declaração de princípios gerais; quando ratificada, representa um vínculo jurídico para os Estados que a ela aderem, os quais devem adequar as normas de Direito interno às da Convenção, para a promoção e protecção eficaz dos Direitos e Liberdades nela consagrados.

Este tratado internacional é um importante instrumento legal devido ao seu carácter universal e também pelo facto de ter sido ratificado pela quase totalidade dos Estados do mundo (192). Apenas dois países, os Estados Unidos da América e a Somália, ainda não ratificaram a Convenção sobre os Direitos da Criança. Portugal ratificou a Convenção em 21 de Setembro de 1990.

A Convenção assenta em quatro pilares fundamentais que estão relacionados com todos os outros direitos das crianças:

  • a não discriminação, que significa que todas as crianças têm o direito de desenvolver todo o seu potencial –todas as crianças, em todas as circunstâncias, em qualquer momento, em qualquer parte do mundo.
  • o interesse superior da criança deve ser uma consideração prioritária em todas as acções e decisões que lhe digam respeito.
  • a sobrevivência e desenvolvimento sublinha a importância vital da garantia de acesso a serviços básicos e à igualdade de oportunidades para que as crianças possam desenvolver-se plenamente.
  • a opinião da criança que significa que a voz das crianças deve ser ouvida e tida em conta em todos os assuntos que se relacionem com os seus direitos.

A Convenção contém 54 artigos, que podem ser divididos em quatro categorias de direitos:

  • os direitos à sobrevivência (ex. o direito a cuidados adequados)
  • os direitos relativos ao desenvolvimento (ex. o direito à educação)
  • os direitos relativos à protecção (ex. o direito de ser protegida contra a exploração)
  • os direitos de participação (ex. o direito de exprimir a sua própria opinião)

Para melhor realizar os objectivos da CDC, a Assembleia Geral da ONU adoptou a 25 de Maio de 2000 dois Protocolos Facultativos: Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo à venda de crianças, prostituição e pornografia infantis (ratificado por Portugal a 16 de Maio de 2003); Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo ao envolvimento de crianças em conflitos armados (ratificado por Portugal a 19 de Agosto de 2003)» http://www.unicef.pt/artigo.php?mid=18101111.

 No corpo destes pressupostos e princípios valorativos, a inviolabilidade da vida está assim consignada em carta de direitos universais e na Constituição /Carta Magna de quase todos os Países. Porém, a verdade é que em muitos destes mesmos países que integram a ONU os direitos da criança não são respeitados, acontece a morte de crianças, por vezes em genocídio infantil, legalizou-se o aborto e a barriga de aluguer (eufemisticamente designada em Portugal de Gestante de substituição) e outras práticas de crime contra a vida infante.

A propósito, registo que corre uma petição internacional a favor da libertação de 668 bebés encarcerados nas prisões turcas.

Neste tempo de Advento, urge reequacionar atitudes e práticas em favor da vida, na defesa e protecção absoluta da Vida desde a gestação ao derradeiro suspiro do moribundo.

É da condição humana a infância. É da condição humana a dignidade da vida logo desde a infância. É fundamental respeitar a Vida na infância. Que assim seja, para que o Menino Jesus sempre nasça de novo em cada criança, e nos corações reine o Amor à Vida!

Proença-a-Nova, 22 de Novembro de 2017

publicado por AlfBernardo Couto às 11:30
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NATAL EM MIM

NATAL EM MIM

 

 

Dezembro. Luzes, vozes e letras

Em anúncio o preço do Natal.

Já nas ruas e praças se vê

A figura ímpar: Pai Natal.

 

Tudo gira em azáfama

Para o natal ser de festa.

É estonteante esta saga

Do Natal a virar moeda.

 

Já é tempo de o Natal ser

Só reviver o memorial:

Em Belém nasceu Deus-Menino!

 

Dezembro. É tempo de viver

Por dentro a palavra Natal

Sempre Jesus a nascer em mim!

                                               Dezembro de 2017

                                                AelfRaed Al Frido

publicado por AlfBernardo Couto às 11:28
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É o NATAL do Menino Jesus

CRÓNICAS DA CONDIÇÃO HUMANA - CXIV

É o NATAL do Menino Jesus

Alfredo Bernardo Serra

 É da condição humana celebrar grandes acontecimentos, assinalar dias com especial significado na vida própria e dos outros. Festejar o dia de aniversário é prática comum relativa ao nascimento duma pessoa e até mesmo à criação duma instituição.

É também nesta condição de aniversário que anualmente a Igreja Cristã celebra o nascimento de Jesus, o Menino nascido da Virgem Maria por acção do Espírito Santo.

No baú geracional das minhas memórias de Infância guardo a emoção dos presentes que o Menino Jesus trazia durante a noite, depois da missa do galo (por volta da meia-noite). E retenho também com saudade os postais de Boas-Festas que nas duas semanas antes do Natal eram trocados entre familiares e amigos/colegas de escola mais próximos.

Entretanto, a bondade do Menino Jesus foi sendo substituída pela bonomia e voz troante da figura do Pai Natal. O sentido religioso e a dimensão espiritual da vivência do Natal deram lugar em grande escala ao materialismo visível nas muitas compras-presentes de Natal, pasme-se, mesmo por aqueles que negam Jesus Cristo Filho de Deus, se afirmam agnósticos ou vivem num absoluto ateísmo materialista, (afinal o Menino-Deus nasceu feito homem para ser o Salvador de toda a humanidade).

É tempo de ensinar às crianças que o Pai Natal é só uma réplica do bondoso bispo São Nicolau de Mira (ou de Bari) (séc. IV d.C.) – nascido por volta do ano 270 d.C, na Turquia.

O Bispo Nicolau era muito amigo das crianças pobres e ajudava as famílias necessitadas, a quem tratava de fazer chegar sacos de comida e roupa. É tempo de dizer às crianças que esta figura do Pai Natal vestido de vermelho e branco é uma criação recente adoptada pela Coca-Cola (EUA) em imagem publicitária da marca, em meados do século XX. Outra versão mais conforme com a história diz-nos que «Nicolau costumava ajudar, anonimamente, quem estivesse em dificuldades financeiras. Colocava o saco com moedas de ouro a ser ofertado na chaminé das casas. Foi declarado santo depois que muitos milagres lhe foram atribuídos. Sua transformação em símbolo natalino aconteceu na Alemanha e daí correu o mundo inteiro. (…) Enquanto São Nicolau era originalmente retratado com trajes de bispo, atualmente o Pai Natal é geralmente retratado como um homem rechonchudo, alegre e de barba branca trajando um casaco vermelho com gola e punho de manga brancos, calças vermelhas de bainha branca, e cinto e botas de couro preto. Essa imagem se tornou popular nos EUA e Canadá no século XX devido à influência da Coca-Cola, que na época lançou um comercial do bom velhinho com as vestes vermelhas» [https://pt.wikipedia.org/wiki/Papai_Noel]

É tempo de dizer com coragem e clareza que o Natal é a festa em que se faz memória do nascimento do Menino Jesus num estábulo (presépio) em Belém, na Judeia.

Feliz Natal 2017! Natal de Jesus que abre as portas do Amor e da Paz ao mundo!

Proença-a-Nova, 11 de Dezembro de 2017

publicado por AlfBernardo Couto às 11:26
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NATAL de Belém ao Céu

NATAL de Belém ao Céu

 

Em manjedoira de tábuas e palhas

O Menino-Deus em Belém foi nado

Da Virgem Maria e José por pai,

O Filho de Deus por nós humanado.

 

Tão pobre nasceu Jesus na fria gruta

Por não haver lugar na hospedaria.

Deus Forte nascido em noite escura

Logo sua Luz nas trevas fez Alegria.

 

Nasceu Cristo Messias tão divino

Assumido no corpo igual a nós

Desde Belém à Cruz, Amor infindo!

 

De Paz e Amor é seu Mandamento

Para o Céu nos dar além da morte.

Seja Natal em nós todo o momento!

 

Proença-a-Nova, 13 de Dezembro de 2017

AlfBernardo Couto

publicado por AlfBernardo Couto às 11:22
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MUDAR O DESERTO

Crónicas da condição humana - CXV

MUDAR O DESERTO                                    

                                                                                                                 Alfredo Bernardo Serra

É da condição humana, de vez em quando, acontecer uma travessia do deserto. Por travessia do deserto entenda-se tempo de crise, experiência existencial menos boa, de incómodo e angústias interiores… No entendimento de deserto como terreno árido, “região extremamente seca, com vegetação xerófila. Rudimentar e reduzida, região desabitada, lugar despovoado ou pouco frequentado; ermo; solidão; solitário; abandonado;…”, onde ocorrem tempestades de vento e de areia, perigos diversos como as areias movediças e outras intempéries.

Assim é na vida de cada ser e nas sociedades. Qual deserto se nos apresenta por vezes e nestes tempos a organização e o viver social nas suas principais dimensões: do areópago da política ao campo do desporto; do circuito comercial à logica do investimento empresarial; do púlpito eclesial aos palcos de seitas e tendas de circo. No deserto em que se converteu este mundo dito civilizado da era computacional em alto nível tecnológico, impera a lei da selva, a cultura do salve-se quem puder, onde parece que tudo vale, não se olha a meios para atingir os fins. Vive-se solitariamente na multidão. O isolamento é marca num qualquer grupo anestesiado nos elevados decibéis do ruído ou controlado pela dinâmica agitada dos dedos polegares e indicador apontados ao teclado. O debate de ideias é tão vago quanto inócuo mas sociologicamente mortal a médio/longo prazo no risco da omissão e no efeito perverso do vazio, tanto quanto é perigosa a indiferença perante o galopar duma determinada escala de opiniões fundadas num certo espectro de valores em negação dos alicerces sociais e do conteúdo essencial do núcleo social, dos arquétipos de comunidade e sua célula com é a família, os conceitos de Povo, Nação e Pátria. Sobrepõe-se a razão ao coração; valoriza-se todo o cientismo em detrimento da moral e da ética; opõe-se conhecimento científico de per se à norma sócio-moral e ao fundamento religioso; mata-se toda a tradição em nome do progresso; esvazia-se a história do povo em nome da nova mentalidade.

À escala global, dos países mais ricos aos impérios da escravatura e paraísos fiscais, do proxenetismo e cartéis disto e daquilo, domina a cultura da passerelle e do voyeurismo sem medida; a ânsia voraz do enriquecimento e a sede de Poder justificam todos os golpes e atropelos, traições e vilanagem.

Neste deserto falta a marca de ideologia verdadeira nos princípios, séria e honrada na palavra e fiel à essência da humanidade; falta gente de carácter nobre capaz de pôr cobro à baixa política e à verdade na prática desportiva; precisa-se duma revolução moral, como bem e sabiamente lembra(va) o Padre Manuel Antunes em ‘Repensar Portugal’: «Uma revolução moral é necessária. Para que a “antiga” sociedade não volte e a “nova” não continue a ser esse misto de ódios e de antagonismos, de oportunismos, de facciosismos, de utopismos e de caotismos que ela tem sido até agora. Uma revolução moral que se deixe inspirar e orientar pelos princípios e valores da justiça, da solidariedade, da liberdade e da honestidade. Uma revolução moral que seja, no entanto, realista, renovando as instituições existentes – e não apenas mudando-lhes os nomes – e criando outras que se imponham. Uma revolução moral que tenha a coragem de afirmar na prática, dentro da sensatez e dentro do equilíbrio, a norma retórica da coactividade do Direito. Uma revolução moral que estabeleça o primado da produtividade sobre a propriedade – estatal ou outra -, da cultura sobre a economia, do ser sobre o ter, da comunidade sobre a sociedade”.

É urgente mudar o deserto onde se vive tão solitariamente nesta aldeia global em solidão. É preciso acionar os imperativos de conduta na valorização do que é inerente à vida e próprio da individuação, do que é legítimo e conforme ao direito natural e à dignidade humana, na garantia do equilíbrio e do futuro de esperança, para a felicidade individual e colectiva, em prol do bem-estar comum e social.

                                                                Proença-a-Nova, 22 de Janeiro de 2018

publicado por AlfBernardo Couto às 11:17
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Apetece-me fugir de casa…

Crónicas da condição humana - CXVI

 

Apetece-me fugir de casa…

Alfredo Bernardo Serra

É da condição humana a necessidade de ambiente marcado pela paz, harmonia e serenidade nas relações interpessoais e na Casa Comum, o território do seu Povo. Neste contexto, é intrínseco ao ser humano o sentimento do Amor manifesto nos gestos e atitudes de carinho, afecto, respeito… e na expressão maior do amor manifestada na paixão entre homem e mulher. Nesta condição humana da vida sustentada no pilar do Amor, importa haver esteios de confiança e de segurança. Esta condição é imanente à família e também na relação do indivíduo com o grupo de que se sente membro, da pessoa com o seu Povo e do cidadão com o Estado.

Talvez porque estes sentimentos estão hoje generalizadamente diminuídos na sua valoração pessoal e social, - parece que até os sentimentos são descartáveis ou supérfluos no viver quotidiano-, ouvesse recorrentemente aqui e ali alguém dizer coisas do tipo: estou farto disto, não te quero ver mais, apetece-me fugir… Infelizmente, são muitos os casos em que a palavra se faz acto, e lá vem a fuga para a frente; eis então a pessoa em situação de desespero e angústias existenciais concretizadas no abandono do lar e da família, divórcio, demissão do cargo, depressão, homicídio, suicídio.

Há algum tempo, uma criança dizia: às vezes só me apetece fugir de casa. O que levará uma pequena criança a expressar tal sentimento na sua ingénua e inocente infantilidade tão vilmente marcada pela desesperança, uma vida ainda curta tão afectada pelo desencanto no viver humano? Esta criança vai crescendo num lar de quotidiano agitado e de relações interpessoais sob tensão e conflito frequente), família ‘desestruturada’; a criança há anos que não se relaciona com o pai “biológico”, e a relação com o padrasto é frívola; o clima familiar parece não oferecer paz, serenidade e segurança a ninguém. Em consequência, esta criança tem uma necessidade extrema de afecto e compreensão, gosta de ser escutada. Certamente, para além destas percepções e evidências, haverá outras razões fortes para na solidão do deserto afirmar com tristeza no olhar: às vezes, apetece-me fugir de casa.

Infelizmente, muitas outras dramáticas histórias de vida na infância aqui poderia croniquizar. Ou, quiçá, histórias de vida que pela negação absoluta da mais elementar condição humana redundaram em tragédia. Num ou noutro caso, quase sempre a culpa morre solteira, nem os pais adultos nem o Estado são devidamente responsabilizados em toda a dimensão do caso, seja na omissão e negligência, seja pela acção irresponsável, decisão e atitudes não concorrentes para o bem-estar da pessoa à sua guarda e soberana tutela.

Apetece-me fugir: pela falta de respeito e ausência de garantia de segurança, saúde, educação,… do bem-estar pessoal e colectivo; devido à absoluta falta de paz e de trabalho, pelo recorrente desrespeito aos mais elementares direitos fundamentais do ser humano no seu país. Por estas e outras causas são hoje tantos os milhares de migrantes, aqueles que de tantas vezes ter sentido vontade de fugir e porventura haver dito: apetece-me fugir, um dia, movidos pela sede de justiça, impelidos pelo desejo de outra e melhor condição de vida, bateram com a porta, deixaram tudo e partiram, velhos e novos, para outras paragens, ao encontro das terras de leite e mel, em busca da Terra Prometida. Deste fluxo migratório resulta o efeito directo na redução nos indicadores de desemprego no seu país, e poucos benefícios a posteriori.

É tempo de políticos, ideólogos, sociólogos, antropólogos e o cidadão comum convergirem no pensamento e na acção para a dignidade humana no respeito pela vida toda, para que ninguém tenha necessidade de deixar o seu lar e muito menos de fugir da vida! É urgente devolver aos povos e a cada pessoa a Esperança e a Alegria de viver!

                                                                 Proença-a-Nova, 22 de Fevereiro de 2018

publicado por AlfBernardo Couto às 11:14
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Devassa à devassidão: o tempora, o mores!

Crónicas da Condição Humana CVXII

Devassa à devassidão: o tempora, o mores!

Alfredo Bernardo Serra

É da condição humana o direito à dignidade e ao reconhecimento da honra, o que se resume na gíria por “ter bom nome” e à presunção da inocência até prova em contrário.

Somos diáriamente, em notícias ao minuto, confrontados com mil crónicas que dão conta de roubos, desfalques, peculato, práticas de usura e usurrpação; são já recorrentes as notícias e denúncias/queixas nas autoridades policiais de violência familiar e violência no namoro, multiplicam-se os casos de “assédio sexual”; os atentados contra a vida na prática do aborto, infanticídio e homicídio espelham claramente a devassidão social no plano dos valores morais e sociais.

Em fonte jornalística lê-se: «O suspeito alegadamente "elaborava ordens de pagamento, falsas ou falsificadas, aparentemente em benefício de terceiros, no todo ou em parte", sendo que terá recolhido "as assinaturas de verificação e de autorização desses pagamentos, de que depois beneficiava pessoalmente, usando, para o efeito, o fundo de maneio da autarquia,…». É notícia a falsa menção da posse de determinada habilitação académica pelo politico A,B,C… ´Noticia-se em parangonas a declaração de residência falsa pelo deputado X,Y, Z,… que assim recebem ajudas de custo por deslocação que não é devida. É objecto de aturado comentário em painel televisivo e/ou radiofónico o acto de corrupção, suborno, zanga pessoal e até mesmo o divórcio em que fulana/o e sicrana/o são protagonistas, com tudo o que isso implica para o denegrir da imagem da pessoa e da instituição a que aqueles estão vinculados. Transforma-se a mera suspeição em condenação na praça pública, entenda-se, nos órgãos de comunicação social escrita, radiofónica e televisiva. É comum surgir o boato no linguajar da coscuvilhice que desenferruja a má-língua.nas esquinas das ruas e mesas de cafés, nos corredores da intriga palaciana e por vezes também nos claustros…e redes sociais.

É a devassa da devassidão sem juízo nem audição prévia por juíz que é suposto ter juízo, conhecimento jurídico, sabedoria… e sentido absoluto da justiça, que mais do que ser cega deve ser justa e equitativa para o bem da humanidade.

Neste campo da organização social, argumentam uns, sem dúvida, tomar-se por referência o princípio de que se deve “dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César”. Levantam-se vozes outras na defesa do recurso a este ou aquele Código definidor de determinados imperativos de conduta. Seja qual for o Código, não deve tal determinação ignorar o que é essencial à dignidade humana. Nem tão-pouco, na nossa sociedade e tempos deste século XXI deve conduzir à desumanização da Lei ou justificar práticas erradicadoras dos valores morais e estéticos fundados ma matriz judaico-cristã que enformam grosso modo o ideário das sociedades, desde logo o Direito natural.

Talvez tudo fosse diferente se se atentasse na sabedoria popular: “quem tem telhados de vidro não joga pedra no do vizinho.” E por outro lado, é tempo de se avalairar seriamente as alterações de atitudes e comportamentos individuais e colectivos que se vão assumindo como normais, sem os mesmos terem encaixe na Moral vigente, com validação apenas do arbítrio conveniente dos praticantes deestes em suposto nome do progresso e do desenvolvimento da sociedade, o que só por si é uma falácia que é preciso desmascarar e contraditar.

Estamos, porventura, em tempos de poder citar Cícero na sua “invectiva à perversidade dos homens e os costumes dissolutos da sua época”: «o tempora, o mores» (ó tempos, ó costumes!).

Proença-a-Nova, 21 de Março de 2018

publicado por AlfBernardo Couto às 11:11
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O MENINO de sua MÃE

Crónicas da Condição Humana CXVIII (publicado em Ecos da Sobreira, abril2018)

 Alfredo Bernardo Serra

 

O MENINO de sua MÃE

É da condição humana o amor incondicional de mãe pelo filho. É humanamente natural a intemporalidade do amor duma mãe pelo fruto do seu ventre. E no entanto, somos acossados por notícias tristes de violência e maus tratos de filhos sobre pai e mãe, bem como o contrário também vai acontecendo nesta vida mortal.  É a lógica da (ir)racionalidade, é a força do instinto dominado pelas forças do Mal, o egoísmo, a insanidade moral, a ausência de Deus que conduz à prática de tão hediondos comportamentos de que por vezes o resultado final é o homicídio. É hoje recorrente serem veiculadas tais notícias no meio de comunicação social em tempo real, na internet assumido baú de memórias que difunde tão macabros assassínios, em absoluta negação do amor maior que é o de uma mãe e de um pai pelo seu filho, e também o amor deste para com os seus progenitores. A ilustrar hediondos actos de desamor, anoto alguns casos/notícia colhidos da net: «www.alterosa.com.br/programas/jornal-da.../filho-esfaqueia-a-mae-por-um-celular. … O rapaz atacou a mulher com 13 facadas pois queria seu celular para comprar drogas.»; «https://www.jornalfato.com.br/.../homem-e-preso-apos-esfaquear-mulher-na-frente-do filho...09/04/2018- O filho do casal, de sete anos, pediu ajuda à um vizinho para socorrer a mãe. »;«tvjornal.ne10.uol.com.br.-1/12/2017 - Um vídeo gravado por uma câmera de segurança mostra o momento em que o agressor foge depois de esfaquear a mulher no ombro. Nas imagens é possível ver o filho do casal, de seis anos, que presenciou o crime, correndo atrás do pai. Segundo os vizinhos, a criança chamava o pai de assassino.»;«https://www.rtp.pt//mulher-suspeita-de-esfaquear-filho-recem-nascido-no-seixal...10/4/2018-Um bebé recém-nascido foi morto por esfaqueamento na noite de segunda-feira, em Corroios, concelho do Seixal, sendo a mãe suspeita do crime…»; «www.midiamax.com.br.policia/mae-mata-bebe-7-meses-esfaqueado-fronteira-368355- 24/02/2018 - Moradora da fronteira, jovem de 18 anos mata a facadas filho de sete meses. Menino tinha perfurações no toráx… nesta sexta-feira (23), na fronteira de Mato Grosso do Sul...».

Ao invés destas desgraças, são muitos e  belos os registos de amor filial para com a mãe.No sítio https://www.mensagenscomamor.com/mensagem/105508, alguém define o amor de mãe de «Vencedor - Amor de mãe vence preconceitos, supera os limites, enfrenta todos os desafios e te ajuda a vencer. Amor de mãe, só Deus para entender. Simplesmente amor!» e eis também o agradecimento: «Obrigado, mãe. Pelos joelhos dobrados, cansados em noites de frio. Obrigado, mãe, por chorar abraçada comigo, enfrentando os meus desafios, me ensinando o caminho que devo andar, me levando pra casa de Deus, me livrando dos laços com seus abraços.» No sentimento de segurança, alento e conforto, “Amor de mãe não morre, só muda de atmosfera. Um amor mais forte que tudo, mais obstinado que tudo, mais duradouro que tudo, é o amor de mãe. O amor de mãe é o combustível que permite a um ser humano fazer o impossível”. Ao jeito de significado, concluo com esta definição do amor de mãe: «Amor de mãe é renúncia, é seguro, é calento, é temor, é querer dar a própria felicidade pela felicidade dos filhos.», pois afinal é sempre “o menino de sua mãe!”. E porque, como canta o poeta Mário Quintana, é verdade “Que és do tamanho do céu, / E apenas menor que Deus.”, obrigado, Mãe!

Proença-a-Nova, 21 de Abril de 2018

publicado por AlfBernardo Couto às 11:07
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coisas boas

Acontecem na vida coisas boas.

A amorizade é bela pérola

Que adorna a áurea da pessoa

A caminho da mais feliz ágora.

publicado por AlfBernardo Couto às 11:04
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Cor caeli (Coração do Céu)

Cor caeli (Coração do Céu)

No silêncio da retina

Ou/vê-se a voz dos olhares

Perscrutando na menina

Dos corações alegria e paz.

 

Falam por si em mim os olhos

Duns e doutros, os peregrinos,

Nós em busca da própria voz

Na consciência que retine.

 

Serena-se na luz o imo

A alma no silêncio de Deus

Unindo-se ao espírito.

 

Erguidas as mãos e os olhos

Volve-se o coração ao céu

Sedento do Amor Divino.

 

AlfBernardoCouto (PªNova, Maio 2018)

publicado por AlfBernardo Couto às 10:34
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Tesouro do Natal

Tesouro do Natal

 

O pinheiro, árvore de natal,

Lembra hirto ao mundo inteiro

Que a Vida tem valor capital

É ímpar tesouro verdadeiro.

 

No natal vero do Deus-Menino

Importa só celebrar a Cristo

Jesus-Emanuel- o Messias

Salvador do Mundo Luz e Vida.

 

Anjos e estrela no presépio

pastores, animais e reis magos,

José, Maria, luzeiros no Céu.

 

Consoada alegre em família

Canto e oração, missa do galo

Por haver nascido Deus-Menino!

(Proença-a-Nova, 24Dez2017/21maio2018)

AlfBernardoCouto

publicado por AlfBernardo Couto às 10:32
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