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Segunda-feira, 28 de Junho de 2021

Traição ao milagre da vida

Cont(r)a-corrente

Traição ao milagre da vida

* Alfredo Bernardo Serra

Na história da humanidade parece ser corrente causar a morte por tudo e por nada. Porque roído de inveja e dominado pela sombra da irritação, «Caim lançou-se sobre o irmão e matou-o» (Gn 4,8). Muitas têm sido as batalhas e guerras entre povos e nações, por espúrios interesses, orgulho e vã cobiça, quiçá no endeusamento do que passageiro e finito, seja a glória seja o próprio homem. Há cinco ou dois mil anos e ainda hoje a pena de morte é nódoa social tanto em Estados ditos modernos e civilizados quanto entre tribos e povos algures no meio do nada da Terra que a humanidade habita desde a criação divina.

Mas o homem que luta na vida pela mudança e em busca de melhores condições de vida na consideração da dignidade devida à vida, é o mesmo que, em contradição, mata a esmo, sob pretexto de direitos, na defesa da dignidade. Esta parece ser também a base de princípios para justificação da eutanásia, que algumas mentes perversas habilidosamente encobrem no eufemismo da ‘morte medicamente assistida’. Hipócritas criminosos!

A despeito da verdade e da honra do cidadão comum, uma maioria de supostos respeitáveis Deputados da Nação portuguesa ousaram levar a discussão e teimar na aprovação da Lei da Eutanásia. «O projeto de lei que despenaliza a morte medicamente assistida foi aprovado no Parlamento esta sexta-feira (29 de janeiro), com 136 votos a favor, 78 contra e 4 abstenções (2 socialistas e 2 social-democratas/PSD). Votaram a favor o Bloco de Esquerda (19 votos), o PAN (3 votos), o PEV (dois), a Iniciativa Liberal (um) e as deputadas não inscritas Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues; também votaram a favor 14 deputados PSD (entre os quais o do líder do partido, Rui Rio) e a grande maioria dos deputados do PS votou a favor. Contra esta lei da eutanásia votaram contra PCP (10 votos), CDS (cinco) e Chega (um), assim como nove parlamentares do PS. No PSD, a maioria dos deputados - 56 - votou contra».

À parte motivações e teorias contra e a favor, não deixa de ser tristemente caricato que uma ei que promove «uma cultura de morte e suicídio» (deputado Telmo Correia-CDS), uma lei que não é progressista nem «consagra o sentimento geral dos portugueses», ao contrário do que afirma o deputado André Silva do PAN; disse Isabel Moreira, deputada do PS que deu a cara por esta legislação, que esta é uma «"lei tolerante e plural" que "em vez de perseguir alguns, acolhe as escolhas de cada pessoa». Não, senhora deputada. Isto é contra-corrente à vida e à dignidade própria na morte, que assim é violada no acto antecipatório do momento da finitude orgânica e reactiva do corpo. Sempre como hoje e nos tempos vindouros assistiu, assiste e assistirá ao indivíduo a liberdade de escolha para, em desespero, pôr termo à vida própria, na perpetração do acto que se conhece por suicídio. Na verdade, esta lei da eutanásia envergonha o português comum, é a pior nódoa na matriz cultural da nação portuguesa, este Portugal que honrosamente aboliu a pena de morte (1867) no final do século XIX.

 

Importa não esquecer, não podemos ignorar que o que leva ao suicídio é o facto de a pessoa estar naquele instante a viver um estado de desequilíbrio psico-emocional, tem ausência de razão lúcida e falta de esperança, sente impotência e revolta, cuja expressão maior é assim o desespero que leva a suicídio, na falta de uma mão amiga, duma palavra conselheira, de ajuda em afecto, elevação da auto-estima da pessoa em sofrimento e valorização da vida.

Não precisamos duma lei da eutanásia. O que faz falta é uma adequada rede de cuidados paliativos à escala nacional.

No artigo com o título “Eutanásia: Quando se abre uma brecha, a deriva pode ser inevitável”, Assuntina Morresi aborda profundamente a questão da eutanásia, o que resume na seguinte reflexão: «É possível legalizar a eutanásia no interior de um quadro de garantias que excluam abusos e permitam o acesso apenas para algumas condições bem especificadas? Não, se lermos um recente trabalho publicado na revista científica “The Journal of Medicine and Philosophy”, da Oxford University Press. O artigo é assinado por três peritos da Universidade de Ghent, na Bélgica, que comentam a aplicação da lei sobre a eutanásia no seu país (aprovada em 2002), sublinhando os seus limites com extrema preocupação».

Toda a lei a favor da eutanásia viola o respeito pela vida humana, nega a vida como dom de Deus, é contrária ao quinto mandamento: «Não matarás» (Ex 20, 13; Mt 5, 21-22).

O assunto ‘eutanásia’ não foi expressa e claramente a debate popular, não foi apresentado na campanha eleitoral para a Assembleia da República. Esta lei da eutanásia está fora da Constituição da República Portuguesa, não respeita o princípio constitucional consignado no «Artigo 24.º - (Direito à vida) – 1. A vida humana é inviolável. 2. Em caso algum haverá pena de morte».

Proença-a-Nova, 21 de Fevereiro de 2021

publicado por AlfBernardo Couto às 23:17
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A ser criança

Cont(r)a-corrente

 * Alfredo Bernardo Serra

A ser criança

É corrente dizer-se que uma criança enche uma casa. Na verdade, a presença de uma criança num espaço esbate o ambiente soturno, agita a eventual monotonia, uma criança dá vida aos seus cuidadores. A vida pela criança é para os adultos causa de grande alegria. Por outro lado, é suposto a vida dum novo ser, o nascimento duma criança na família reforçar ainda mais os laços de amor conjugal de que por certo é fruto aquela criança, Assim aumentada a família, deve esta crescer também como comunidade de vida e de amor.

A criança, quando nasce, tem, por direito natural, direito a viver sob o cuidado e a protecção dos pais, num ambiente securizante e harmonioso. Mas nem sempre assim acontece. Pior é nos tempos que vivemos parecer normal não importar a vida da criança. De facto, os indicadores de divórcio são a prova triste e preocupante de que os filhos não são postos em primeiro plano pelos pais que se separam. Toda a separação familiar, seja a partida de familiar para outras paragens, por emigração ou por morte da pessoa próxima e querida, seja uma relação de marido e esposa quebrada por discórdia, infidelidade, traição, falta de amor, é sempre causa de tristeza prolongada, por vezes demasiado duradoira. Muito mais o divórcio dos pais afecta negativamente o equilíbrio psico-emocional de todo o tenro e indefeso ser humano que é ta criança/adolescente e até mesmo do jovem, como também um filho adulto é marcado pela separação dos pais já no outono da vida.

Na Exortação Apostólica “Familiaris Consortio” sobre a Família (22.11.1981), o Papa S. João Paulo II escreve: «Na família, comunidade de pessoas, deve reservar-se uma especialíssima atenção à criança, desenvolvendo uma estima profunda pela sua dignidade pessoal como também um grande respeito e um generoso serviço pelos seus direitos. Isto vale para cada criança, mas adquire uma urgência singular quanto mais pequena e desprovida, doente, sofredora ou diminuída for a criança» (n. 26).

A criança quando nasce, vem ao mundo para ser feliz e, na correnteza da vida, contribuir para a felicidade dos outros. Portanto, a criança tem direito a ser criança no tempo próprio.

O direito a ser criança consubstancia-se no direito a viver na unidade da família patrocinada pela união do pai e da mãe, congregadores do núcleo familiar. A criança deve viver na garantia do direito a que lhe sejam assegurados os cuidados de alimentação, saúde, educação, segurança e conforto, para se desenvolver de forma integral, equilibrada e harmoniosa, em graça, sabedoria e estatura.

A propósito, cito de novo S. João Paulo II: «O acolhimento, o amor, a estima, o serviço multíplice e unitário – material, afectivo, educativo, espiritual – a cada criança que vem a este mundo deverão constituir sempre uma nota distintiva irrenunciável dos cristãos, em particular das famílias cristãs. Deste modo as crianças, ao poderem crescer “em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens”, darão o seu precioso contributo à edificação da comunidade familiar e à santificação dos pais» (ibidem).

Para que a criança cresça em graça, é dever dos pais darem-lhe a (in)formação na dimensão espiritual, numa cultura de valores morais conectores da alma e do espírito na busca do eu espiritual e religioso que é todo o ser humano. Para a criança crescer em sabedoria, é obrigação dos pais, família, aldeia, Estado, assegurarem a educação e ensino na transmissão de valores-padrão que regem a tribo/sociedade; é dever da família e do Estado garantir à criança os meios de aquisição do conhecimento e da cultura que promovem o progresso e o desenvolvimento. Para a criança crescer em estatura deve-lhe ser garantido, desde logo, o direito à vida digna: afecto, alimentação, cuidados de saúde. O crescer em graça, sabedoria e estatura depende plenamente do simples facto de a criança ser respeitada como pessoa, de viver no direito a ser criança. A ser criança que se sente amada pelos pais, que é querida pela família, que é respeitada nos seus tempos e ritmos de vida em transformação e aprendizagem, criança que tem tempo para fazer birras e chorar por nada, por necessidade interior, e por isso a ser acarinhada no colo que lhe dá segurança e conforto.

A criança deve viver a infância a ser criança que tem tempo para brincar e aprender a ser gente.

Proença-a-Nova, 22 de Maio de 2021

publicado por AlfBernardo Couto às 23:14
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Na Saudade

Cont(r)a-corrente

Na Saudade

* Alfredo Bernardo Serra

Saudade foi a palavra escolhida para definir sentidos e sentimentos de vida no ano ido de dois mil e vinte. Consequentemente, a projecção do quotidiano para dois mil e vinte e um parece desenhada sob os efeitos da saudade do modo de vida antes da pandemia covid-19, na saudade das relações interpessoais em proximidade, no aperto de mão, no beijo e no abraço.

Vivemos pois na saudade da vida sem covid-19, ainda com o vírus disseminado à escala planetária, o nanovírus que provocou mudanças radicais na vida humana, tanto na dimensão social quanto no plano da economia, gerando rupturas e crises de todo o tipo, em todos os sectores societais e a todos os níveis vivenciais.

Com saudade e elevado sentido de responsabilidade e respeito pela vida, reequacionaram-se modos de relação, alteraram-se hábitos e comportamentos de proximidade, renovaram-se procedimentos de prevenção sanitária, confinamento residencial e distanciamento social; congregaram-se sinergias e partilharam-se saberes, conhecimentos e recursos no domínio da investigação e do desenvolvimento no combate contra a pandemia. Houve o afastamento pessoal e reduziram-se os modos de convivência social e as celebrações comunitárias. As relações e os afectos só foram minimizados e sublimados pela comunicação a distância e por alguns períodos de tempo em que houve alívio das regras e limitações do confinamento.

Em contra-corrente estiveram aqueles que nunca levaram a sério a existência real e mortífera do vírus covid-19. Foram contra-corrente os políticos e seus correligionários negacionistas, cujas palavras e actos ignorantes e irresponsáveis contribuíram para a transmissão galopante do vírus e a dimensão da pandemia.

Por tudo isto, é preciso aprender a viver a saudade. Deixemo-nos interpelar pela saudade. Respeitemos a saudade de todos e de cada um. Afinal, todos sentimos saudade. Temos saudade do banco do jardim, dos almoços em família, dos bailaricos e da cavaqueira à mesa do café ou no banco do jardim; saudade da visita ao sacrário e da participação na missa; saudade de poder participar no enterro dos mortos e de confortar presencialmente os irmãos em luto; saudade da experiência do retiro espiritual em presença física  e da peregrinação ao santuário; saudade da visita ao doente no hospital e ao familiar residente no Lar; saudade da ausência forçada dos mais queridos familiares e amigos.

Nesta saudade, angustia-nos o dilacerante esforço dos meios de emergência e de socorro aos caídos no vale profundo da doença; entristece-nos o desespero de quantos labutam nos meios hospitalares para a salvação das vidas; partilhamos a dor dos necessitados que não podem ser assistidos espiritualmente e somos solidários com os agentes de pastoral que se vêem impedidos de capazmente assistir às necessidades espirituais dos fiéis.

Nada será como dantes, diz-se já de forma corrente. É certo o mundo ser feito de andanças e mudanças, bons tempos e contratempos, mas também as evoluções e os ventos favoráveis se fazem presentes na vida.

Seja a saudade do passado aquele elemento que determine o nosso modo de ser, o jeito de estar e de agir já hoje e no amanhã, para que o futuro seja risonho; vivamos de tal modo que sempre a saudade seja reflexo do quanto fizemos para o bem-estar pessoal e colectivo, em favor da causa comum, na busca da felicidade. Vivamos a saudade com responsabilidade e fé, confiantes na bênção de Deus presente.

Proença-a-Nova, 24 de Janeiro de 2021

 

publicado por AlfBernardo Couto às 23:09
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Em família e na paz

Em família e na paz

 *Alfredo B. Serra

“Os homens, as mulheres e as crianças desejam viver a paz. Mas o estabelecimento dessa paz é moroso.”, reconhece a UNESCO no Manual para os Direitos Humanos na Educação; mais adiante neste documento, a Unesco aponta caminhos para a mais breve instauração universal da paz: “O conhecimento e o respeito pelos direitos humanos podem, através da educação, inscrever no espírito de todas as pessoas os elementos fundamentais de uma cultura da paz”. Neste sentido, a ONU proclama no Acto Constitutivo da UNESCO: “Nascendo as guerras no espírito dos homens, é no espírito dos homens que devem ser erguidos os baluartes da paz”.

É sabido e reconhecido que na família se forma o carácter da criança, é na família que primeiro acontece o contacto com os valores fundamentais da vida, em família se apropriam valores, se imprimem representações e assimilam papéis sociais, referências atitudinais e comportamentais que vão moldar a pessoa em desenvolvimento.

Posto isto, é fundamental desde logo que a criança-feto se desenvolva no seio materno com dias vividos na serenidade e em mar de afectos e segurança; depois é indispensável que a criança cresça sob o signo do amor, em meio familiar onde floresce a harmonia e a paz securizantes de todo o ser humano. É preciso que na família haja respeito de uns para com os outros, se faça diálogo em aceitação de opiniões e tolerância para com as diferenças; seja a família o barco que tem os pais por timoneiros, onde cada um assume o seu legítimo papel, se partilham as responsabilidades, ainda que haja pontos de vista divergentes; é indispensável que a família cultive o respeito pela liberdade e a dignidade individual de todo o ser humano. Deste modo, tudo se resume afinal no exercício da vida em paz na família, a célula nuclear da sociedade, em celebração permanente do Amor: em amor conjugal, no amor maternal, no amor paternal, em amor filial e fraterno.

No poema Ciclo (III) Heberto Helder canta o amor sob o signo da paz na vida:

“Todas as coisas são mesa para os pensamentos

onde faço minha vida de paz,

num peso íntimo de alegria como um existir de mão

fechada puramente sobre o ombro.” 

Por estas premissas e no desiderato dum processo social à luz dos direitos humanos, defenda-se a família fundada no amor, promova-se a família-instituição, construa-se a paz na família, dote-se a família dos meios que garantem o bem-estar e promovem a educação da criança, cultivem-se no seio familiar os direitos fundamentais para o desenvolvimento integral e harmonioso da criança.

Toda a criança tem direito a viver em família sob o signo da paz!

* Representante do Ministério da Educação

na CPCJ de Proença-a-Nova

publicado por AlfBernardo Couto às 23:03
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2021

A ser criança

Cont(r)a-corrente

 * Alfredo Bernardo Serra

A ser criança

É corrente dizer-se que uma criança enche uma casa. Na verdade, a presença de uma criança num espaço esbate o ambiente soturno, agita a eventual monotonia, uma criança dá vida aos seus cuidadores. A vida pela criança é para os adultos causa de grande alegria. Por outro lado, é suposto a vida dum novo ser, o nascimento duma criança na família reforçar ainda mais os laços de amor conjugal de que por certo é fruto aquela criança, Assim aumentada a família, deve esta crescer também como comunidade de vida e de amor.

A criança, quando nasce, tem, por direito natural, direito a viver sob o cuidado e a protecção dos pais, num ambiente securizante e harmonioso. Mas nem sempre assim acontece. Pior é nos tempos que vivemos parecer normal não importar a vida da criança. De facto, os indicadores de divórcio são a prova triste e preocupante de que os filhos não são postos em primeiro plano pelos pais que se separam. Toda a separação familiar, seja a partida de familiar para outras paragens, por emigração ou por morte da pessoa próxima e querida, seja uma relação de marido e esposa quebrada por discórdia, infidelidade, traição, falta de amor, é sempre causa de tristeza prolongada, por vezes demasiado duradoira. Muito mais o divórcio dos pais afecta negativamente o equilíbrio psico-emocional de todo o tenro e indefeso ser humano que é ta criança/adolescente e até mesmo do jovem, como também um filho adulto é marcado pela separação dos pais já no outono da vida.

Na Exortação Apostólica “Familiaris Consortio” sobre a Família (22.11.1981), o Papa S. João Paulo II escreve: «Na família, comunidade de pessoas, deve reservar-se uma especialíssima atenção à criança, desenvolvendo uma estima profunda pela sua dignidade pessoal como também um grande respeito e um generoso serviço pelos seus direitos. Isto vale para cada criança, mas adquire uma urgência singular quanto mais pequena e desprovida, doente, sofredora ou diminuída for a criança» (n. 26).

A criança quando nasce, vem ao mundo para ser feliz e, na correnteza da vida, contribuir para a felicidade dos outros. Portanto, a criança tem direito a ser criança no tempo próprio.

O direito a ser criança consubstancia-se no direito a viver na unidade da família patrocinada pela união do pai e da mãe, congregadores do núcleo familiar. A criança deve viver na garantia do direito a que lhe sejam assegurados os cuidados de alimentação, saúde, educação, segurança e conforto, para se desenvolver de forma integral, equilibrada e harmoniosa, em graça, sabedoria e estatura.

A propósito, cito de novo S. João Paulo II: «O acolhimento, o amor, a estima, o serviço multíplice e unitário – material, afectivo, educativo, espiritual – a cada criança que vem a este mundo deverão constituir sempre uma nota distintiva irrenunciável dos cristãos, em particular das famílias cristãs. Deste modo as crianças, ao poderem crescer “em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens”, darão o seu precioso contributo à edificação da comunidade familiar e à santificação dos pais» (ibidem).

Para que a criança cresça em graça, é dever dos pais darem-lhe a (in)formação na dimensão espiritual, numa cultura de valores morais conectores da alma e do espírito na busca do eu espiritual e religioso que é todo o ser humano. Para a criança crescer em sabedoria, é obrigação dos pais, família, aldeia, Estado, assegurarem a educação e ensino na transmissão de valores-padrão que regem a tribo/sociedade; é dever da família e do Estado garantir à criança os meios de aquisição do conhecimento e da cultura que promovem o progresso e o desenvolvimento. Para a criança crescer em estatura deve-lhe ser garantido, desde logo, o direito à vida digna: afecto, alimentação, cuidados de saúde. O crescer em graça, sabedoria e estatura depende plenamente do simples facto de a criança ser respeitada como pessoa, de viver no direito a ser criança. A ser criança que se sente amada pelos pais, que é querida pela família, que é respeitada nos seus tempos e ritmos de vida em transformação e aprendizagem, criança que tem tempo para fazer birras e chorar por nada, por necessidade interior, e por isso a ser acarinhada no colo que lhe dá segurança e conforto.

A criança deve viver a infância a ser criança que tem tempo para brincar e aprender a ser gente.

Proença-a-Nova, 22 de Maio de 2021

(Publicado no Jornal Ecos da Sobreira, maio 2021)

publicado por AlfBernardo Couto às 20:12
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Segunda-feira, 14 de Junho de 2021

A palavra do ano

A palavra do ano

Ano após ano, instituições e órgãos de comunicação social nomeia a personalidade do ano e identificam um determinado acontecimento como o mais relevante na dimensão social, política, desportiva, cultural, etc.; aquele facto que foi impactante na sociedade ou determinante para mudanças significativas neste ou naquele plano e ou escala de influência activa. Também desde há alguns anos temos vindo a ser desafiados a escolher a palavra do ano. Esta escolha vocabular enquadra desde logo uma dimensão moral, valorativa e obedece a critérios de percepção e impacto social, e expressa também a frequência da notícia pública sobre o acontecimento associado à palavra ou expressão.

Neste contexto, a Porto Editora promoveu no ano de 2009 a selecção pública da palavra do ano por votação universal. A jeito de curiosidade e para reflexão, aqui registamos as palavras/expressões escolhidas na última década: 2009 – esmiuçar; 2010 – Venezuela; 2011 – austeridade; 2012 – entroikado; 2013 – bombeiro; 2014 – corrupção; 2015 – refugiado; 2016 – geringonça; 2017 – incêndios; 2018 – enfermeiro; 2019 – violência doméstica.

Estas “palavras do ano” reflectem claramente que nem tudo vai bem no «reino da Dinamarca», ou seja, a humanidade vive em tensão e no conflito, o clima social está doente e gravemente demente à escala global e ao nível local, da empresa até ao meio familiar.

É uma evidência generalizada o uso e abuso de poder por quem detém o Poder nos países e na administração de instituições regionais e locais. Neste exercício do Poder são muitos os casos conhecidos de lenocínio, a corrupção, o tráfico de influências, de pessoas e bens há muito tempo que fazem notícia e entopem tribunais; avolumam-se os casos de escândalo e são astronómicos os números de abortos, divórcios, suicídios, violações, homicídios e outros comportamentos disruptivos e disfuncionais que indiciam à exaustão o grau de infelicidade e busca de satisfação imediata do livre arbítrio. Impera a cultura do Eu, o egocentrismo determina atitudes e comportamentos, afirma-se o egoísmo a par com as práticas de altruísmo, de solidariedade e manifestação colectiva na defesa de certos valores, tantas vezes no efeito moda induzida por grupos de opinião, líder carismático ou até mesmo por pressão e acção mais ou menos clara de organizações públicas ou mesmo secretas.

 Em sentido lato, da observação do real, na análise do painel noticioso e pela leitura da estatística, inferimos haver a força do Poder e do Estado soberano sobre todos e tudo, o culto da Individualidade-Líder, cuja palavra é verdade absoluta e não se contesta; percebemos que neste triste e desgraçado clima social de tensão permanente há desrespeito pela dignidade humana, há perpetração de atentado ao direito à vida e à liberdade individual.

E assim se propaga a desesperança e o desamor, instala-se a Crise, e emergem com expressão concreta a violência e o crime. Vivemos dramaticamente a tragédia do Mundo em crise, ainda que na busca da felicidade, que parece não encontrar e cresce a desesperança. Neste plano reproduzimos as palavras do Papa Francisco “na justificada fúria das pessoas, a Igreja vê o reflexo da ira de Deus, atraiçoado e esbofeteado” (cit. In Christus vivit, Paulus-2019, p. 45). Porque há a ausência de Deus. Há a negação do Deus-Criador, que é Pai de Misericórdia. Falta a referência do Verbo humanado e o Seu Amor. Falta o conselho da Palavra que é Boa Nova da Esperança e do Amor.

Proença-a-Nova, 25 de Janeiro de 2020

publicado por AlfBernardo Couto às 19:17
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A chave da vida para 2020

A chave da vida para 2020

«Com a chave da voz abri a vida:

Mas sair? Onde o passo? E como, a porta?»

Assim começa o poema “Prisão” de Vitorino Nemésio, poeta que no questionamento da livre acção do homem no mundo e do poder da voz humana pela força da palavra, na poesia “Hélice pergunta: «Quando voltará o Sentido à casa do Homem?

Socorro-me deste pensar do Mestre Vitorino para aqui inventariar os registos do ano que se finda e em contracorrente projectar o novo ano que aí vem: 2020.

Em 2019 d.C. a crista da onda tanto nos mostrou a onda de violência e o vermelho do sangue dos mártires e vítimas inocentes de múltiplos atentados como arrastou para a praia na evidência do plástico a problemática do binómio poluição-ambiente.

Entre a voz do Papa Francisco e a coragem imberbe da pequena Greta, parece haverem despertado os políticos senhores do mundo para a emergência climática.

Assistimos ao noticiário que nos trouxe filmes reais de desvalidos corajosos me fuga da fome e da vil miséria, as infindáveis filas e saques a estabelecimentos comerciais que assolaram países vários da América hispânica governados pelo totalitarismo e pelo nepotismo; mas também registamos em 2019 as manifestações frequentes em países da Europa Unida e em Hong-Kong. Houve manifestações movidas pela crise económico-financeira mas também na dimensão exclusivamente política, com matriz ideológica umas e outras de natureza social-corporativa. Todavia, no palco do debate esteve a emergência climática com destaque para a importância do Sínodo para a Amazónia promovido pelo Papa Francisco e a influente acção da ONU na pessoa do seu Secretário-Geral, o português, cristão e político António Guterres.

As vagas noticiosas deram à costa esparsas informações dos mártires cristãos e dos hediondos ataques a Igrejas católicas, mas, em contracorrente, foram empoladas e malevolamente deturpadas notas de ocorrências menos respeitosas ou não provadas, falsas atitudes, comportamentos e palavras de prelados.

Vimos serem fomentadas guerras inter e intra-países e alimentadas querelas intestinas por mero interesse político e económico ou outros menos perceptíveis.

Com espanto e admiração, ouvimos há dias o Presidente do Partido Social-Democrata desafiar os outros candidatos ao cargo a declaração de interesses sobre o serem ou não  maçons, tendo ainda o ex-Presidente municipal da cidade Invicta trazido à arena o poder e influência da Maçonaria. A propósito, registemos os indescritíveis ataques à boa moral e costumes fundados na matriz judaico-cristã, as deliberações políticas e leis contra o modelo tradicional de família, a induzida cultura do aborto e da eutanásia, a normativização da homossexualidade e da igualdade de género. A deificação do corpo humano, e ainda a personificação de animais e coisas.

Na última noite de 2019 d.C., ousemos formular apenas um desejo: Senhor, que o Homem se conheça, e reconhecendo-se, Te encontre. Porque, afinal, «Deus é a mais próxima semelhança da humanidade» (Pestalozzi). E que assim a humanidade entre e saia do ano 2020 com a chave da vida: «esta vida não tem valor nenhum a não ser que sirva para a educação religiosa do nosso coração. (…) Tudo, é, portanto, educação na vida humana. Cada ano da nossa existência é a sequência dos anos que precedem e a preparação dos que se seguem; cada idade tem uma tarefa a desempenhar para si mesma, e uma outra relativa à idade que vem após ela» (Mme de Stael).

No apontar de 2020, «É tempo de «olhar alto e longe» (S.Paulo VI), para que impere a verdade e a justiça, a paz e a bonança, o Homem redescubra o Sentido da Casa Comum, a humanidade seja feliz, seja capaz de salvar-se e de salvar a Terra e toda a criação de Deus. Para que, como Vitorino Nemésio em ‘De Profundis’, cada pessoa possa clamar:

«Do profundo abismo em que me achei,

E em que não me lembro se caí ou fui precipitado,

Da lama fofa e a ferver de que me cozi, clamei

A vós, Senhor, surdo e infinito:

Sejas Tu neste grito

Para todo o sempre louvado».

Proença-a-Nova, 11 de Dezembro de 2019

publicado por AlfBernardo Couto às 19:16
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Em vez do Pai Natal, o Menino

Em vez do Pai Natal, o Menino

Eram os últimos dias de Outubro e já na rádio passava spot publicitário de natal. Ainda estávamos nos dias dos Santos e dos fiéis defuntos e já nos Centros Comerciais se viam cartazes a anunciar a chegada do Pai Natal e montras com enfeites natalícios.

Desde há algumas décadas, a figura do Pai Natal tem vindo a ser associada por inteiro à identidade própria e singular do Natal, em tamanha escala de apropriação como se o Pai Natal fosse a origem e toda a essência da Festa do Natal.

Na minha infância, desde a mais tenra idade as crianças ouviam dizer que o Natal era a Festa do nascimento do Menino Jesus. E que os presentes no sapatinho que à noite deixava ao pé da lareira, estavam lá na manhã de Natal porque o Menino Jesus viera pela chaminé e os deixara lá no sapatinho ou na bota.  E porque os tempos eram de austeridade, a vida de trabalho era dura e o dinheiro não abundava, a família era numerosa…, os presentes no sapatinho eram uma laranja ou tangerina, um pião, com sorte uma pequena moeda de 25 tostões, talvez umas peúgas ou uma camisola que se convertiam em presente de natal porque há muita em necessidade. Só mais tarde apareceram os chocolates em figura de sininhos e do Pai Natal.

As famílias comiam a Ceia de Natal na noite de 24 de Dezembro, cujo fim ocorria até pelo menos uma hora antes da Missa do Galo, celebração a que ía a família toda. Era neste ritual litúrgico da Missa do Galo que então a criançada interiorizava a razão de ser da festa de Natal pela observação do presépio na Igreja e no “beijar o Menino” no final da Missa do Galo, e depois no fim de cada missa dominical até ao Dia de Reis.

Infelizmente, hoje muitas crianças não têm estas vivências porque não há a prática de participação na Santa Missa, ou porque a coitada da criança tão indefesa não deve ser exposta ao ambiente numeroso de pessoas, como assembleia de fiéis numa igreja,… Mas o desconhecimento ou equívocos sobre o Natal são consequência, sobretudo, pela negação da dimensão espiritual do ser humano, porque na “festa de Natal” o foco é colocado na dimensão da matéria e do brilhantismo para dar nas vistas, na fruição absoluta do ócio, do prazer e das coisas do mundo que garantem a alegria e satisfação imediatas, a sedução das luzes e do néon, os presentes muito caros e da última moda.

É tempo de inverter esta cultura da negação da essência das coisas e do genuíno. É urgente repor a verdade dos factos e a beleza da festa na fidelidade aos acontecimentos históricos e no espírito que lhes preside. É hora de o Natal ser proclamado como a festa cristã do Nascimento do Menino-Deus que assumiu a condição humana para redenção da humanidade e renovação da Aliança de Deus com os Homens na realização do projecto de Salvação.

Há mais de dois mil anos, em Belém da Judeia, nascia este Menino Jesus numa estrebaria, com manjedoura e palhas por berço. Avisados por um anjo, ali acorreram pastores com presentes (Lc 2, 8-16); mais tarde chegaram os Reis Magos guiados pela estrela do Oriente, que ao Menino ofereceram ouro (porque rei), mirra (porque homem) e incenso (porque Deus) (Mt 2,10-11). É esta a origem e fundamento dos presentes de Natal. A figura do Pai Natal que entrega presentes personifica o bispo Nicolau de Mira (século III-IV d.C, Ásia Menor, hoje Turquia), que na sua bondade e elevado sentido da caridade, incógnito e discretamente, deixava à porta, - diz a lenda - lançava saco de dinheiro pela chaminé das famílias pobres e das crianças desvalidas.

Portanto, se é saudável a figura do Pai Natal na dimensão sócio-caritativa, mais importante e fundamental é associar os presentes de Natal ao belíssimo acto dos pastores que levaram ao recém-nascido do que havia: leite e anhos. É também tempo urgente de tomar por referência a sabedoria que aos magos permitiu reconhecer a realeza daquele Menino (o ouro) e com discernimento profético contemplar as duas naturezas de Jesus: a humana (a mirra) e a divina (o incenso). Logo, é tempo de o Pai Natal ser remetido a segundo plano e no mundo se dar o lugar e o espaço devidos ao Menino Jesus, merecedor de todos os nossos presentes no amor ao próximo, como Ele nos amou.

Proença-a-Nova, 25 de Novembro de 2019

 

Natal de ter e haver

                   No frio escuro da gruta

                    Lá no oriental fim do mundo

                    Nasceu ao brilho da lua

                    O Deus - Menino - Jesus

 

                                                              Nas profecias anunciado Redentor

                                                              Para remissão do pecado original.

                                                              Veio ao Mundo o Messias-Salvador

                                                              Feito Deus Homem sem igual.

 

                     Trouxe à Terra a bela mensagem

                     De Paz e Amor, hossanas à Vida!

                     Porém, volvidos já dois milénios,

                                                   

                                                    De Cristo quase só resta a homenagem

                                                    Em memória do Seu Natal, um dia

                                                    De ter e haver, não de viver fraterno.

                                                                                  1999-12-08 Aelf Raed

publicado por AlfBernardo Couto às 19:15
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Conversão ecológica

Conversão ecológica

Ambiente, ecologia, carbono zero, poluição, emergência climática e outra conexas são palavras na ordem do dia no debate político, em acções de rua pró-ambiente e nas dinâmicas manifestantes de ONG - Organizações Não Governamentais ambientalistas.

Há muitas décadas que nas escolas se desenvolvem práticas indutoras de consciência ambiental e cultivam práticas ecológicas

como a separação do lixo e a compostagem. Nos idos anos finais da década de 80 e anos subsequentes houve mesmo a disciplina de Ecologia, cujo estudo sempre esteve presente nos currícula dos ensinos gerais e complementares das escolas portuguesas e na generalidade dos países.

Mas como em tantas outras dimensões, também neste particular da relação ambiente-economia esta se tem sobreposto às causas do ambiente e às valências da Natureza no seu todo, com domínio absoluto dos objectivos de mercado para produção de riqueza financeira tanto dos países quanto de grupos económicos.

A bem do planeta Terra e da qualidade de vida dos seres vivos seus habitantes: animais - homens e mulheres incluídos -, e plantas… levantaram-se nos últimos tempos vozes possantes e políticos de primeiro plano clamando a emergência climática e a adopção de medidas que reduzam a poluição atmosférica, dos solos e das águas. Têm-se multiplicado as acções de rua, manifestações e discursos agitadores das consciências humanas, palavras que mudem os corações possuídos pelos valores do dinheiro e do bem-estar assente no plástico e nos CFC dos ambientadores de espaço e outros químicos da produção industrial poluente.

Na esteira da Encíclica Laudato Si (Louvado sejas - LS), veio agora o Papa Francisco promover não só os olhares e consciências para a emergência de defesa da Amazónia - o pulmão da Terra - mas sobretudo para que se cultive com seriedade uma relação saudável com a Terra e defensora do ambiente global que envolve o planeta casa comum da Humanidade. Nesta Carta Encíclica “sobre o cuidado da casa comum”, o Papa Francisco lança «um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós». Mas a preocupação da Igreja “na busca de um desenvolvimento sustentável e integral” (Laudato Si, 13) não é de hoje. Em 1971, o Papa Paulo VI referiu-se à problemática ecológica, apresentando-a como uma crise que «é consequência dramática» da actividade descontrolada do ser humano, recorda o Papa Francisco que lembra também as palavras do Papa São João Paulo II sobre este tema: “Na sua primeira encíclica, advertiu que o ser humano parece «não dar-se conta de outros significados do seu ambiente natural, para além daqueles que servem somente para os fins de um uso ou consumo imediatos» (Redemptor hominis - 4 de março de 1979) . Mais tarde (2001), convidou a uma conversão ecológica global” (LS,4-5). Também o Papa emérito Bento XVI se pronunciou assertivamente sobre a problemática ambiental na Terra com convite a «eliminar as causas estruturais das disfunções da economia mundial e corrigir os problemas de crescimento que parecem incapazes de garantir o respeito do meio ambiente» (LS, 6).  Em linha de coerência com a doutrina da Igreja, em LS – Louvado Sejas, o Papa Francisco propõe «uma ecologia que, nas suas várias dimensões, integre o lugar específico que o ser humano ocupa neste mundo e as suas relações com a realidade que o rodeia”. Neste sentido, todo o cristão, em particular, deve ter atitudes e comportamentos ecológicos fundadas nas «linhas de maturação humana inspiradas no tesouro da experiência espiritual cristã» (LS, 15) com a consciência basilar «duma origem comum, duma recíproca pertença e dum futuro partilhado por todos.» no abraçar «um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração» (LS, 202). É urgente a mudança de atitudes do homem na Terra no respeito do meio ambiente, na relação com a Natureza, Criação divina; precisa-se alteração de comportamentos no uso dos recursos naturais desta casa comum que é a Terra; é imperativa a consciência da emergência ecológica em cada um de nós. Aconteça, pois, e já, em cada ser humano a conversão ecológica.

20 de Outubro de 2019

publicado por AlfBernardo Couto às 19:14
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Ideologia de género nas escolas

Ideologia de género nas escolas

Alfredo Bernardo Serra

O texto que se segue enquadra o apelo a assinar uma petição sobre o que está a acontecer nas escolas espanholas sobre a doutrinação da ideologia de género e valores correlacionados: “Emergencia en las aulas (sala de aula de emergência) - «Eles falam da masturbação. Eles falam da penetração anal. Eles falam de mudar de sexo à vontade. Eles estão devastando a inocência das crianças, e não um projeto. Está acontecendo agora, em escolas espanholas.

Mas há muitos pais, muitos avós, irmãos mais velhos, mesmo dispostos a parar esta onda de crianças de doutrinação na ideologia de género.

O que antes parecia impossível, agora é possível.

ASSINE A PETIÇÃO: Casado Rivera, Abascal: não deixe ideologia de gênero mata a inocência das crianças. Pin Parental agora! [Teresa Garcia-Noblejas e a toda equipe HazteOir.org]».”

A ideologia de género “É um conjunto de ideias anticientíficas que com propósitos políticos, destrói a sexualidade humana da sua realidade natural, e explica-a somente pela cultura.  Não existiria sexo masculino ou feminino, mas nascer-se-ia neutro.”

Segundo esta corrente, “Não somos influenciados pelo sexo biológico, anatómico e cromossomático. O que somos é influenciados social e culturalmente, o que acaba por nos identificar com um determinado “género.” Ou seja: somos do género que desejamos ser e esse estado/pensamento/autoperceção, define o nosso género, de momento, que pode mudar todas as vezes que nós entendermos.” Segundo o consultor e especialista da ONU, Vitit Muntharbohrn, “Haveria 112 géneros”.

Em absurda descontrução da identidade biológica, afirma-se assim levianamente a negação da evidência sexo masculino ou sexo feminino! E proclama-se a diversidade sexual. Aberrante moral!

Nesta corrente de teorias em linha com a ideologia de género, aflora também a ideia de que “A família composta por um homem e uma mulher, estaria ultrapassada, e seria uma invenção religioso/cultural que tem de ser desconstruída.”  Ainda neste quadro, segundo a ideologia de género e defensores da LGTBI, “O matrimónio e a maternidade são formas de oprimir e subjugar o género feminino, e restringem as suas liberdades e oportunidades.”

Impõe-se registar sem medos nem peias o seguinte: “Na Inglaterra subiu para 1000 o número de crianças, com doenças psíquicas devido à aplicação da ideologia de género.”

Infelizmente, em Portugal começamos a ser confrontados também esta triste realidade. Na sequência da Lei n.º 38/2018, de 7 de agosto, que veio estabelecer o direito à autodeterminação da identidade de género e expressão de género e à proteção das características sexuais de cada pessoa, recentemente, e por iniciativa dos  Gabinetes da Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade
e do Secretário de Estado da Educação, foi publicado no dia 16 de Agosto, em Diário da República, o Despacho n.º 7247/2019, que no seu artigo 1.º «estabelece as medidas administrativas que as escolas devem adotar para efeitos da implementação do previsto no n.º 1 do artigo 12.º da Lei n.º32/2018».

Portanto, o referido Despacho é desde logo inconstitucional, pois não só promulga a cultura da ideologia de género nas escolas como comporta em si mesmo uma ingerência no direito que assiste aos pais na liberdade de escolha da educação dos seus filhos, como salvaguardado pela Constituição da República Portuguesa, no art. 36, nº. 5 e art. 43 nº- 2, onde está escrito: “Os pais têm o direito e o dever da educação e manutenção dos filhos” e “o Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas (...), políticas ou ideológicas”.

24 de Setembro de 2019

publicado por AlfBernardo Couto às 19:13
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