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Segunda-feira, 14 de Junho de 2021

A palavra do ano

A palavra do ano

Ano após ano, instituições e órgãos de comunicação social nomeia a personalidade do ano e identificam um determinado acontecimento como o mais relevante na dimensão social, política, desportiva, cultural, etc.; aquele facto que foi impactante na sociedade ou determinante para mudanças significativas neste ou naquele plano e ou escala de influência activa. Também desde há alguns anos temos vindo a ser desafiados a escolher a palavra do ano. Esta escolha vocabular enquadra desde logo uma dimensão moral, valorativa e obedece a critérios de percepção e impacto social, e expressa também a frequência da notícia pública sobre o acontecimento associado à palavra ou expressão.

Neste contexto, a Porto Editora promoveu no ano de 2009 a selecção pública da palavra do ano por votação universal. A jeito de curiosidade e para reflexão, aqui registamos as palavras/expressões escolhidas na última década: 2009 – esmiuçar; 2010 – Venezuela; 2011 – austeridade; 2012 – entroikado; 2013 – bombeiro; 2014 – corrupção; 2015 – refugiado; 2016 – geringonça; 2017 – incêndios; 2018 – enfermeiro; 2019 – violência doméstica.

Estas “palavras do ano” reflectem claramente que nem tudo vai bem no «reino da Dinamarca», ou seja, a humanidade vive em tensão e no conflito, o clima social está doente e gravemente demente à escala global e ao nível local, da empresa até ao meio familiar.

É uma evidência generalizada o uso e abuso de poder por quem detém o Poder nos países e na administração de instituições regionais e locais. Neste exercício do Poder são muitos os casos conhecidos de lenocínio, a corrupção, o tráfico de influências, de pessoas e bens há muito tempo que fazem notícia e entopem tribunais; avolumam-se os casos de escândalo e são astronómicos os números de abortos, divórcios, suicídios, violações, homicídios e outros comportamentos disruptivos e disfuncionais que indiciam à exaustão o grau de infelicidade e busca de satisfação imediata do livre arbítrio. Impera a cultura do Eu, o egocentrismo determina atitudes e comportamentos, afirma-se o egoísmo a par com as práticas de altruísmo, de solidariedade e manifestação colectiva na defesa de certos valores, tantas vezes no efeito moda induzida por grupos de opinião, líder carismático ou até mesmo por pressão e acção mais ou menos clara de organizações públicas ou mesmo secretas.

 Em sentido lato, da observação do real, na análise do painel noticioso e pela leitura da estatística, inferimos haver a força do Poder e do Estado soberano sobre todos e tudo, o culto da Individualidade-Líder, cuja palavra é verdade absoluta e não se contesta; percebemos que neste triste e desgraçado clima social de tensão permanente há desrespeito pela dignidade humana, há perpetração de atentado ao direito à vida e à liberdade individual.

E assim se propaga a desesperança e o desamor, instala-se a Crise, e emergem com expressão concreta a violência e o crime. Vivemos dramaticamente a tragédia do Mundo em crise, ainda que na busca da felicidade, que parece não encontrar e cresce a desesperança. Neste plano reproduzimos as palavras do Papa Francisco “na justificada fúria das pessoas, a Igreja vê o reflexo da ira de Deus, atraiçoado e esbofeteado” (cit. In Christus vivit, Paulus-2019, p. 45). Porque há a ausência de Deus. Há a negação do Deus-Criador, que é Pai de Misericórdia. Falta a referência do Verbo humanado e o Seu Amor. Falta o conselho da Palavra que é Boa Nova da Esperança e do Amor.

Proença-a-Nova, 25 de Janeiro de 2020

publicado por AlfBernardo Couto às 19:17
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A chave da vida para 2020

A chave da vida para 2020

«Com a chave da voz abri a vida:

Mas sair? Onde o passo? E como, a porta?»

Assim começa o poema “Prisão” de Vitorino Nemésio, poeta que no questionamento da livre acção do homem no mundo e do poder da voz humana pela força da palavra, na poesia “Hélice pergunta: «Quando voltará o Sentido à casa do Homem?

Socorro-me deste pensar do Mestre Vitorino para aqui inventariar os registos do ano que se finda e em contracorrente projectar o novo ano que aí vem: 2020.

Em 2019 d.C. a crista da onda tanto nos mostrou a onda de violência e o vermelho do sangue dos mártires e vítimas inocentes de múltiplos atentados como arrastou para a praia na evidência do plástico a problemática do binómio poluição-ambiente.

Entre a voz do Papa Francisco e a coragem imberbe da pequena Greta, parece haverem despertado os políticos senhores do mundo para a emergência climática.

Assistimos ao noticiário que nos trouxe filmes reais de desvalidos corajosos me fuga da fome e da vil miséria, as infindáveis filas e saques a estabelecimentos comerciais que assolaram países vários da América hispânica governados pelo totalitarismo e pelo nepotismo; mas também registamos em 2019 as manifestações frequentes em países da Europa Unida e em Hong-Kong. Houve manifestações movidas pela crise económico-financeira mas também na dimensão exclusivamente política, com matriz ideológica umas e outras de natureza social-corporativa. Todavia, no palco do debate esteve a emergência climática com destaque para a importância do Sínodo para a Amazónia promovido pelo Papa Francisco e a influente acção da ONU na pessoa do seu Secretário-Geral, o português, cristão e político António Guterres.

As vagas noticiosas deram à costa esparsas informações dos mártires cristãos e dos hediondos ataques a Igrejas católicas, mas, em contracorrente, foram empoladas e malevolamente deturpadas notas de ocorrências menos respeitosas ou não provadas, falsas atitudes, comportamentos e palavras de prelados.

Vimos serem fomentadas guerras inter e intra-países e alimentadas querelas intestinas por mero interesse político e económico ou outros menos perceptíveis.

Com espanto e admiração, ouvimos há dias o Presidente do Partido Social-Democrata desafiar os outros candidatos ao cargo a declaração de interesses sobre o serem ou não  maçons, tendo ainda o ex-Presidente municipal da cidade Invicta trazido à arena o poder e influência da Maçonaria. A propósito, registemos os indescritíveis ataques à boa moral e costumes fundados na matriz judaico-cristã, as deliberações políticas e leis contra o modelo tradicional de família, a induzida cultura do aborto e da eutanásia, a normativização da homossexualidade e da igualdade de género. A deificação do corpo humano, e ainda a personificação de animais e coisas.

Na última noite de 2019 d.C., ousemos formular apenas um desejo: Senhor, que o Homem se conheça, e reconhecendo-se, Te encontre. Porque, afinal, «Deus é a mais próxima semelhança da humanidade» (Pestalozzi). E que assim a humanidade entre e saia do ano 2020 com a chave da vida: «esta vida não tem valor nenhum a não ser que sirva para a educação religiosa do nosso coração. (…) Tudo, é, portanto, educação na vida humana. Cada ano da nossa existência é a sequência dos anos que precedem e a preparação dos que se seguem; cada idade tem uma tarefa a desempenhar para si mesma, e uma outra relativa à idade que vem após ela» (Mme de Stael).

No apontar de 2020, «É tempo de «olhar alto e longe» (S.Paulo VI), para que impere a verdade e a justiça, a paz e a bonança, o Homem redescubra o Sentido da Casa Comum, a humanidade seja feliz, seja capaz de salvar-se e de salvar a Terra e toda a criação de Deus. Para que, como Vitorino Nemésio em ‘De Profundis’, cada pessoa possa clamar:

«Do profundo abismo em que me achei,

E em que não me lembro se caí ou fui precipitado,

Da lama fofa e a ferver de que me cozi, clamei

A vós, Senhor, surdo e infinito:

Sejas Tu neste grito

Para todo o sempre louvado».

Proença-a-Nova, 11 de Dezembro de 2019

publicado por AlfBernardo Couto às 19:16
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Em vez do Pai Natal, o Menino

Em vez do Pai Natal, o Menino

Eram os últimos dias de Outubro e já na rádio passava spot publicitário de natal. Ainda estávamos nos dias dos Santos e dos fiéis defuntos e já nos Centros Comerciais se viam cartazes a anunciar a chegada do Pai Natal e montras com enfeites natalícios.

Desde há algumas décadas, a figura do Pai Natal tem vindo a ser associada por inteiro à identidade própria e singular do Natal, em tamanha escala de apropriação como se o Pai Natal fosse a origem e toda a essência da Festa do Natal.

Na minha infância, desde a mais tenra idade as crianças ouviam dizer que o Natal era a Festa do nascimento do Menino Jesus. E que os presentes no sapatinho que à noite deixava ao pé da lareira, estavam lá na manhã de Natal porque o Menino Jesus viera pela chaminé e os deixara lá no sapatinho ou na bota.  E porque os tempos eram de austeridade, a vida de trabalho era dura e o dinheiro não abundava, a família era numerosa…, os presentes no sapatinho eram uma laranja ou tangerina, um pião, com sorte uma pequena moeda de 25 tostões, talvez umas peúgas ou uma camisola que se convertiam em presente de natal porque há muita em necessidade. Só mais tarde apareceram os chocolates em figura de sininhos e do Pai Natal.

As famílias comiam a Ceia de Natal na noite de 24 de Dezembro, cujo fim ocorria até pelo menos uma hora antes da Missa do Galo, celebração a que ía a família toda. Era neste ritual litúrgico da Missa do Galo que então a criançada interiorizava a razão de ser da festa de Natal pela observação do presépio na Igreja e no “beijar o Menino” no final da Missa do Galo, e depois no fim de cada missa dominical até ao Dia de Reis.

Infelizmente, hoje muitas crianças não têm estas vivências porque não há a prática de participação na Santa Missa, ou porque a coitada da criança tão indefesa não deve ser exposta ao ambiente numeroso de pessoas, como assembleia de fiéis numa igreja,… Mas o desconhecimento ou equívocos sobre o Natal são consequência, sobretudo, pela negação da dimensão espiritual do ser humano, porque na “festa de Natal” o foco é colocado na dimensão da matéria e do brilhantismo para dar nas vistas, na fruição absoluta do ócio, do prazer e das coisas do mundo que garantem a alegria e satisfação imediatas, a sedução das luzes e do néon, os presentes muito caros e da última moda.

É tempo de inverter esta cultura da negação da essência das coisas e do genuíno. É urgente repor a verdade dos factos e a beleza da festa na fidelidade aos acontecimentos históricos e no espírito que lhes preside. É hora de o Natal ser proclamado como a festa cristã do Nascimento do Menino-Deus que assumiu a condição humana para redenção da humanidade e renovação da Aliança de Deus com os Homens na realização do projecto de Salvação.

Há mais de dois mil anos, em Belém da Judeia, nascia este Menino Jesus numa estrebaria, com manjedoura e palhas por berço. Avisados por um anjo, ali acorreram pastores com presentes (Lc 2, 8-16); mais tarde chegaram os Reis Magos guiados pela estrela do Oriente, que ao Menino ofereceram ouro (porque rei), mirra (porque homem) e incenso (porque Deus) (Mt 2,10-11). É esta a origem e fundamento dos presentes de Natal. A figura do Pai Natal que entrega presentes personifica o bispo Nicolau de Mira (século III-IV d.C, Ásia Menor, hoje Turquia), que na sua bondade e elevado sentido da caridade, incógnito e discretamente, deixava à porta, - diz a lenda - lançava saco de dinheiro pela chaminé das famílias pobres e das crianças desvalidas.

Portanto, se é saudável a figura do Pai Natal na dimensão sócio-caritativa, mais importante e fundamental é associar os presentes de Natal ao belíssimo acto dos pastores que levaram ao recém-nascido do que havia: leite e anhos. É também tempo urgente de tomar por referência a sabedoria que aos magos permitiu reconhecer a realeza daquele Menino (o ouro) e com discernimento profético contemplar as duas naturezas de Jesus: a humana (a mirra) e a divina (o incenso). Logo, é tempo de o Pai Natal ser remetido a segundo plano e no mundo se dar o lugar e o espaço devidos ao Menino Jesus, merecedor de todos os nossos presentes no amor ao próximo, como Ele nos amou.

Proença-a-Nova, 25 de Novembro de 2019

 

Natal de ter e haver

                   No frio escuro da gruta

                    Lá no oriental fim do mundo

                    Nasceu ao brilho da lua

                    O Deus - Menino - Jesus

 

                                                              Nas profecias anunciado Redentor

                                                              Para remissão do pecado original.

                                                              Veio ao Mundo o Messias-Salvador

                                                              Feito Deus Homem sem igual.

 

                     Trouxe à Terra a bela mensagem

                     De Paz e Amor, hossanas à Vida!

                     Porém, volvidos já dois milénios,

                                                   

                                                    De Cristo quase só resta a homenagem

                                                    Em memória do Seu Natal, um dia

                                                    De ter e haver, não de viver fraterno.

                                                                                  1999-12-08 Aelf Raed

publicado por AlfBernardo Couto às 19:15
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Conversão ecológica

Conversão ecológica

Ambiente, ecologia, carbono zero, poluição, emergência climática e outra conexas são palavras na ordem do dia no debate político, em acções de rua pró-ambiente e nas dinâmicas manifestantes de ONG - Organizações Não Governamentais ambientalistas.

Há muitas décadas que nas escolas se desenvolvem práticas indutoras de consciência ambiental e cultivam práticas ecológicas

como a separação do lixo e a compostagem. Nos idos anos finais da década de 80 e anos subsequentes houve mesmo a disciplina de Ecologia, cujo estudo sempre esteve presente nos currícula dos ensinos gerais e complementares das escolas portuguesas e na generalidade dos países.

Mas como em tantas outras dimensões, também neste particular da relação ambiente-economia esta se tem sobreposto às causas do ambiente e às valências da Natureza no seu todo, com domínio absoluto dos objectivos de mercado para produção de riqueza financeira tanto dos países quanto de grupos económicos.

A bem do planeta Terra e da qualidade de vida dos seres vivos seus habitantes: animais - homens e mulheres incluídos -, e plantas… levantaram-se nos últimos tempos vozes possantes e políticos de primeiro plano clamando a emergência climática e a adopção de medidas que reduzam a poluição atmosférica, dos solos e das águas. Têm-se multiplicado as acções de rua, manifestações e discursos agitadores das consciências humanas, palavras que mudem os corações possuídos pelos valores do dinheiro e do bem-estar assente no plástico e nos CFC dos ambientadores de espaço e outros químicos da produção industrial poluente.

Na esteira da Encíclica Laudato Si (Louvado sejas - LS), veio agora o Papa Francisco promover não só os olhares e consciências para a emergência de defesa da Amazónia - o pulmão da Terra - mas sobretudo para que se cultive com seriedade uma relação saudável com a Terra e defensora do ambiente global que envolve o planeta casa comum da Humanidade. Nesta Carta Encíclica “sobre o cuidado da casa comum”, o Papa Francisco lança «um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós». Mas a preocupação da Igreja “na busca de um desenvolvimento sustentável e integral” (Laudato Si, 13) não é de hoje. Em 1971, o Papa Paulo VI referiu-se à problemática ecológica, apresentando-a como uma crise que «é consequência dramática» da actividade descontrolada do ser humano, recorda o Papa Francisco que lembra também as palavras do Papa São João Paulo II sobre este tema: “Na sua primeira encíclica, advertiu que o ser humano parece «não dar-se conta de outros significados do seu ambiente natural, para além daqueles que servem somente para os fins de um uso ou consumo imediatos» (Redemptor hominis - 4 de março de 1979) . Mais tarde (2001), convidou a uma conversão ecológica global” (LS,4-5). Também o Papa emérito Bento XVI se pronunciou assertivamente sobre a problemática ambiental na Terra com convite a «eliminar as causas estruturais das disfunções da economia mundial e corrigir os problemas de crescimento que parecem incapazes de garantir o respeito do meio ambiente» (LS, 6).  Em linha de coerência com a doutrina da Igreja, em LS – Louvado Sejas, o Papa Francisco propõe «uma ecologia que, nas suas várias dimensões, integre o lugar específico que o ser humano ocupa neste mundo e as suas relações com a realidade que o rodeia”. Neste sentido, todo o cristão, em particular, deve ter atitudes e comportamentos ecológicos fundadas nas «linhas de maturação humana inspiradas no tesouro da experiência espiritual cristã» (LS, 15) com a consciência basilar «duma origem comum, duma recíproca pertença e dum futuro partilhado por todos.» no abraçar «um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração» (LS, 202). É urgente a mudança de atitudes do homem na Terra no respeito do meio ambiente, na relação com a Natureza, Criação divina; precisa-se alteração de comportamentos no uso dos recursos naturais desta casa comum que é a Terra; é imperativa a consciência da emergência ecológica em cada um de nós. Aconteça, pois, e já, em cada ser humano a conversão ecológica.

20 de Outubro de 2019

publicado por AlfBernardo Couto às 19:14
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Ideologia de género nas escolas

Ideologia de género nas escolas

Alfredo Bernardo Serra

O texto que se segue enquadra o apelo a assinar uma petição sobre o que está a acontecer nas escolas espanholas sobre a doutrinação da ideologia de género e valores correlacionados: “Emergencia en las aulas (sala de aula de emergência) - «Eles falam da masturbação. Eles falam da penetração anal. Eles falam de mudar de sexo à vontade. Eles estão devastando a inocência das crianças, e não um projeto. Está acontecendo agora, em escolas espanholas.

Mas há muitos pais, muitos avós, irmãos mais velhos, mesmo dispostos a parar esta onda de crianças de doutrinação na ideologia de género.

O que antes parecia impossível, agora é possível.

ASSINE A PETIÇÃO: Casado Rivera, Abascal: não deixe ideologia de gênero mata a inocência das crianças. Pin Parental agora! [Teresa Garcia-Noblejas e a toda equipe HazteOir.org]».”

A ideologia de género “É um conjunto de ideias anticientíficas que com propósitos políticos, destrói a sexualidade humana da sua realidade natural, e explica-a somente pela cultura.  Não existiria sexo masculino ou feminino, mas nascer-se-ia neutro.”

Segundo esta corrente, “Não somos influenciados pelo sexo biológico, anatómico e cromossomático. O que somos é influenciados social e culturalmente, o que acaba por nos identificar com um determinado “género.” Ou seja: somos do género que desejamos ser e esse estado/pensamento/autoperceção, define o nosso género, de momento, que pode mudar todas as vezes que nós entendermos.” Segundo o consultor e especialista da ONU, Vitit Muntharbohrn, “Haveria 112 géneros”.

Em absurda descontrução da identidade biológica, afirma-se assim levianamente a negação da evidência sexo masculino ou sexo feminino! E proclama-se a diversidade sexual. Aberrante moral!

Nesta corrente de teorias em linha com a ideologia de género, aflora também a ideia de que “A família composta por um homem e uma mulher, estaria ultrapassada, e seria uma invenção religioso/cultural que tem de ser desconstruída.”  Ainda neste quadro, segundo a ideologia de género e defensores da LGTBI, “O matrimónio e a maternidade são formas de oprimir e subjugar o género feminino, e restringem as suas liberdades e oportunidades.”

Impõe-se registar sem medos nem peias o seguinte: “Na Inglaterra subiu para 1000 o número de crianças, com doenças psíquicas devido à aplicação da ideologia de género.”

Infelizmente, em Portugal começamos a ser confrontados também esta triste realidade. Na sequência da Lei n.º 38/2018, de 7 de agosto, que veio estabelecer o direito à autodeterminação da identidade de género e expressão de género e à proteção das características sexuais de cada pessoa, recentemente, e por iniciativa dos  Gabinetes da Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade
e do Secretário de Estado da Educação, foi publicado no dia 16 de Agosto, em Diário da República, o Despacho n.º 7247/2019, que no seu artigo 1.º «estabelece as medidas administrativas que as escolas devem adotar para efeitos da implementação do previsto no n.º 1 do artigo 12.º da Lei n.º32/2018».

Portanto, o referido Despacho é desde logo inconstitucional, pois não só promulga a cultura da ideologia de género nas escolas como comporta em si mesmo uma ingerência no direito que assiste aos pais na liberdade de escolha da educação dos seus filhos, como salvaguardado pela Constituição da República Portuguesa, no art. 36, nº. 5 e art. 43 nº- 2, onde está escrito: “Os pais têm o direito e o dever da educação e manutenção dos filhos” e “o Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas (...), políticas ou ideológicas”.

24 de Setembro de 2019

publicado por AlfBernardo Couto às 19:13
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Os candidatos

Os candidatos

Alfredo Bernardo Serra

Em conversa de circunstância com irmãos lusófonos sobre as políticas e governança da coisa pública no Brasil, em Angola e em Portugal, uma ideia comum se regista: não há mais confiança nos políticos no Poder nem tampouco nos candidatos a deputados e outros altos cargos do Estado.

Acerca dos militantes partidários e seus dirigentes e, em particular, sobre os putativos candidatos, por exemplo, a deputados da nação, um cidadão angolano dizia: o chefe do Partido até é muito bom, mas os que estão com ele… não valem nada, nunca fizeram nada na vida… e prosseguiu o meu interlocutor com invectivas e desprimoradas qualificações deste e daquele tenente ou aspirante, servos de campo do Chefe. Outros foram corroborando e pondo achas na fogueira incineradora do perfil dos (proto)candidatos, assim escalpelizados na cavaqueira social por cidadãos atentos à vida do seu país, preocupados com as misérias humanas e empenhados em contribuir, ao menos pelo voto, com a escolha do menos mau para se fazer caminho de progresso e desenvolvimento. Uma outra ideia generalizadamente reconhecida foi que os homens e mulheres competentes, sérios e honestos já não entram nos lamaçais partidários da política baixa e sectária, tantas vezes assente em projectos de ambições pessoais, por interesses económicos e ao serviço doutros propósitos, forças e grupos que representam minorias bem escudadas e com poderes de bastidores.

Diz o aforismo latino que «à mulher de César não basta ser séria, é preciso parecê-lo».  Ora, muito mais o candidato a representante do Povo deve ser reconhecidamente idóneo em todas as dimensões humanas, exemplo para os seus concidadãos e eleitores, modelo de virtudes para os homens e mulheres a quem pede voto de confiança para em nome destes governar o que é de todos e para todos.

Não é expectável nem justo que se faça o escrutínio cego da vida toda do candidato no pelourinho, mas ao menos que se conheça o essencial do modo de vida – qual é o  modo de ser, estar, agir, o pensamento do candidato sobre as “coisas”, da moral e ideologia porque orienta a sua vida, da militância político-partidária à confissão religiosa, se é ateu ou agnóstico; no plano da  cultura, economia, desporto,…; profissão ou experiências profissionais, formação académica; registos de acção social, voluntariado e benemerência pública; e, claro, modo de vida familiar. É indispensável que se saiba exactamente qual é a base moral perfilhada e vivida pelo candidato, bem como a sua independência económica e autossuficiência financeira. É fundamental ser perceptível ao cidadão comum que o candidato não precisa da política nem de cargo político para ter rendimentos económicos – ‘não anda na política para ganhar a vida’, mas para servir a causa comum e trabalhar em benefício dos outros, para o bem do povo.

E porque “não basta querer fazer o bem, é preciso saber fazê-lo” (S. Josemaria), o candidato político ou aspirante a dirigente de organismo público deve ser um dos melhores entre os melhores, sério e honesto, com provas dadas de sabedoria, bom senso, sentido de justiça e equidade, com reconhecimento público e aceitação popular.

25 de Agosto de 2019

publicado por AlfBernardo Couto às 19:05
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O Partido político do cristão!

O Partido político do cristão!

Alfredo Bernardo Serra

O envolvimento na política «é uma obrigação para um cristão», frisa o Papa Francisco.

Há seis anos, no dia 5 de Julho de 2013, ao responder a perguntas colocadas por algumas das nove mil crianças e jovens de escolas e movimentos Jesuítas com quem se encontrou no Vaticano, o Papa Francisco disse: «Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão». Os cristãos não podem «fazer de Pilatos, lavar as mãos»: «Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum», frisou Francisco, citado pelo site "Vatican Insider". «Os leigos cristãos devem trabalhar na política. Dir-me-ão: não é fácil. Mas também não o é tornar-se padre. A política é demasiado suja, mas é suja porque os cristãos não se implicaram com o espírito evangélico. É fácil atirar culpas... mas eu, que faço? Trabalhar para o bem comum é dever de cristão», apontou (Ecclesia, 7-6-2013).

Depois das férias de Verão, na entrada de Setembro, nós, portugueses, seremos bombardeados com a campanha política para as eleições parlamentares. No dia seis de Outubro seremos convocados ao exercício do direito de voto.

Se é verdade que se deve dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus, tal não deve servir de desculpa para não cumprir o dever cívico nem tão pouco cada um se deve escudar nisto para não fazer uso do direito a escolher os governantes que perfilham dos mesmos valores morais, socisais, culturais e estéticos, no respeito pela liberdade individual e colectiva, colocando-se a política em exclusivo ao serviço do bem comum. Portanto, o cristão deve ir votar e em consciência eleger os candidatos cuja ideologia partidária se enquadra na doutrina da Igreja. Logo, não é conforme à Doutrina da Igreja o ideário político do Partido que defende a prática do aborto e a eutanásia; é contrário à Doutrina da Igreja o endoutrinamento que promove a homossexualidade como coisa normal, tendência por comportamento que naturalmente deve e pode ser combatida na vontade pessoal e em negação dos instintos pelo controlo da natureza da carne e do sensório-emotivo;  não deve um cristão votar no partido político que promove e defende uma cultura simplista do casamento na perspectiva da união de facto a passos largos para o divórcio por dá cá aquela palha. Não é conforme à prática cristã a ideologia da escravatura, seja ela qual for, qualquer tipo de limitação da liberdade de expressão e religiosa.

O cristão não deve escolher para a governança da coisa pública homens e mulheres que se afirmam ateus, que atacam a Igreja de Cristo e negam a existência de Deus.

O cristão deve ser coerente na expressão de voto e na militância política com a fé que professa e em conformidade com a doutrina da Igreja de Cristo no plano dos afectos e do social. Logo, o voto do cristão deve ser dado a Partidos Políticos com princípios e valores alinhados com a moral e a doutrina social da Igreja Católica, Apostólica de Cristo.

  28 de Julho de 2019

publicado por AlfBernardo Couto às 19:04
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Se bem me lembro… não me lembro!

Se bem me lembro… não me lembro!

Alfredo Bernardo Serra

“Se bem me lembro”, assim falava o professor e escritor Vitorino Nemésio no programa televisivo que nos anos 70 do século passado avivava a memória das gentes e promovia a cultura e formação do povo português.

É bom serviço à causa pública a perpetuação da memória das gentes, a preservação da moral/bons costumes e a cultura da honradez da palavra na valorização da palavra de honra.

É suposto que ao menos quem governa a “res publica” seja dotado de competências, faculdades, habilidades e destrezas, e nisto tudo tenha “boa memória”.

Nos últimos tempos têm sido muitos os “casos” de alegada falta de memória por parte desta ou daquela pessoa pública que em tempos teve responsabilidades de governança da coisa pública. Instados a falar sobre actos e factos em que foram protagonistas como decisores, simplesmente como mandantes ou até mesmo lídimos actores no teatro de operações, se o assunto é delicado ou não lhes convém, logo alegam falta de memória sobre tal, no que é useira e vezeira a expressão: “não me lembro”.

É caso para dizer:  Quem teve tais governantes, não precisa de mais inimigos da Pátria.

Proença-a-Nova, 24 de Junho de 2019

publicado por AlfBernardo Couto às 19:02
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Juro que nunca vou ser pai

Juro que nunca vou ser pai

Alfredo Bernardo Serra

O mês de Junho todos os anos começa no seu primeiro dia por assinalar O Dia Mundial da Criança.

A ONU (Organização das Nações Unidas) tem mesmo uma estrutura – UNICEF (United Nations International Children’s Emergency Fund /Fundo das Nações Unidas para a Infância) - exclusivamente dedicada à acção a favor das crianças do Planeta Terra onde «Milhões de crianças são confrontadas com a pobreza, a fome, a violência, a exploração e a discriminação» (UNICEF). Em Portugal, o comité da UNICEF foi criado por Maria Violante Vieira, em 1979, e integra hoje uma rede de 34 Comités Nacionais que em outros tantos países integram a organização global UNICEF. Tal como a UNICEF, muitas outras organizações assumem como missão a defesa e a protecção das crianças à escala mundial ou apenas à dimensão internacional, nacional ou mesmo em território mais restrito. Em Portugal, além da UNICEF, existem várias instituições dedicadas à causa da Criança, nomeadamente a SOS Criança e A Casa do Gaiato do Padre Américo. Na alçada directa do Estado Português existe a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens  -CNPDPCJ, criada pelo Decreto-Lei nº 159/2015 de 10 de agosto, que foi alterado pelo Decreto-Lei nº 139/2017, de 10 de novembro, em continuidade da acção das CPM- Comissões de Protecção de Menores criadas em Portugal no ano de 1991 e depois convertidas em CPCJ, estruturas que hoje designam as Comissões instaladas a nível concelhio ou áreas territoriais específicas, sendo estas «instituições oficiais não judiciárias com autonomia funcional que visam promover os direitos da criança e do jovem e prevenir ou pôr termo a situações susceptíveis de afetar a sua segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento integral».

A existência e funcionamento activo destas instituições só se verifica porque a maldade e a malvadez são uma realidade inegável na acção humana. A violência sobre os mais fracos e desprotegidos, em particular sobre as crianças, é ainda uma triste realidade neste século XXI da era Cristã.

Como tudo seria diferente na educação e formação amorosa das crianças pelos adultos se todos os homens e mulheres tivessem presente em si o belo e assertivo pensamento de Saint-Exupery: “todos os adultos já foram crianças… mas poucos se lembram disso”. Como o mundo seria mais belo se nós, homens e mulheres da era da tecnologia seguíssemos o ensinamento de Jesus Cristo “Se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no reino dos Céus. Quem for humilde como esta criança, esse será o maior no reino dos Céus. E quem acolher em meu nome uma criança como esta, acolhe-Me a Mim. Vede bem. Não desprezeis um só destes pequeninos. Eu vos digo que os seus Anjos vêem constantemente o rosto de meu Pai que está nos Céus.” (Mt 18, 3-5).

Na minha infância, era comum os mais velhos serem guarda e cuidadores dos mais novos, porque a mãe tinha afazeres domésticos (ir num saltinho à horta, lavar umas peças de roupa, compras na mercearia,…), mas também ajudar em tarefas domésticas e lavores agrícolas leves, sem sentido de trabalho infantil, constituindo-se processo de aprendizagem social e formação de carácter.

Na época do Natal de 2019, num corredor de Centro Comercial, uma criança dos seus 10 anos guardava um irmão de colo que apesar de depositado no seu «carrinho de bebé» na irrequietude muito chateava o menino seu cuidador. E quanta atenção e responsabilidade este demonstrava naos gestos inquietos e nos olhos preocupados. O seu rosto revelava já cansaço. Então, olhando para o mano bebé e movimentando o carrinho para sossegar a pequenita criança - já havia decorrido cerca de meia-hora desde que me cruzei com a cena -, o miúdo desabafava: Juro que nunca vou ser pai!».

    Proença-a-Nova, 23 de Junho de 2020

publicado por AlfBernardo Couto às 19:01
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A minoria que faz maioria

A minoria que faz maioria

Alfredo Bernardo Serra

É corrente a organização social fundar-se na arquitectura padrão ou modelar, seja tipo tribo ou simples grupo sem definição ou identidade reconhecida que mais cedo ou mais tarde se auto-regula e institucionaliza. Para além da tradicional estrutura social, emerge em contra-corrente o fazedor de opinião singular, ecoa a voz e a força dos insatisfeitos e dos injustiçados, sente-se a vontade e sonhos de quem aspira à diferença no viver ou na conquista da dignidade a que tem direito ou tão só luta pelos direitos que julga serem-lhe devidos.

É hoje recorrente a expressão da maioria, mas também é corrente a minoria e tanto um lado como outro recorrem à manifestação reivindicativa e ou denunciadora disto e daquilo.

Foi o Cristianismo difundido por um punhado de discípulos de Jesus, os seguidores da Via, uma pequena minoria de homens e mulheres que desde Jerusalém levaram a mensagem da Boa Nova aos quatro cantos da Terra. Uma minoria no império romano, que não vacilaram na fé cristã perante os leões na arena, tal como hoje se afirmam determinados na fé em Cristo os cristãos em países de outra maiorias religiosas (nomeadamente islâmicos) ou em Estados sem Deus (China, Coreia do Norte,….).

Aqui e ali, da Europa às Américas assistimos à tomada do Poder pela convergência de minorias ou até mesmo por ambição pessoal e ou projecto político de facção que rapidamente vira tirania ou ditadura. Pelo mundo fora vai acontecendo a manipulação dos povos por agitadores sociais e agiotas de vontades esfomeadas e consciências foragidas. (Foi manipulada a franja de pessoas que bradou pela libertação de Barrabás e abafada a multidão que clamava pela libertação de Jesus por Pilatos, enquanto a minoria comprada reclamou a crucificação de Cristo). Nos media, passa frequentemente a condenação na praça pública por mera suspeita de acto irregular, suposto comportamento imoral…

 Foi uma minoria de comando (militares descontentes com o Estado e fartos da guerra?) que perpetrou a revolução “da liberdade” no dia 25 de Abril de 1974 em Portugal, mas que depressa mereceu a confiança e o apoio massivo da sociedade portuguesa. Instalou-se a democracia representativa enformada pela minoria orgânica que são os partidos políticos. Quarenta e cinco anos depois, o Poder político está manipulado, minoritariamente, pelo cartão do Partido e nas mãos de camaleónicos independentes acorrentados ao directório partidário.

Vivem hoje as sociedades atormentadas pela trágica imprevisibilidade de atentados e outras práticas terroristas reivindicados por radicais extremistas, às vezes em nome de deus. Vemos hoje a moral e os bons costumes acossados por lobbies faccionistas defensores de princípios e de valores contra a família tradicional, e em contra-corrente validam o casamento entre pessoas do mesmo sexo; minorias que são a favor do aborto e da eutanásia mas que em contraponto condenam a pena de morte; tanto se propala a defesa dos direitos humanos e muito mais se pratica o abandono dos indigentes, desvalidos e incapacitados, à maneira espartana (os bebés e as pessoas que adquiriam alguma deficiência eram lançados ao mar ou em precipício). Adoptam-se e passeiam-se gatos e cães, mas abandonam-se recém-nascidos nos caixotes do lixo das vilarejas, urbes e cidades cosmopolitas, mas por deficiente organização social e por efeito da nova escravatura, os “velhos” nossos pais e avós são depositados nos modernos asilos – centros de dia e lares de 3.ª idade, e os bebés nas creches/infantários, as crianças armazenadas nas escolas o máximo de tempo diário.

Assim são os tempos e os modos sob os ventos das minorias. Grassa o indiferentismo, acomoda-se no sofá a inércia do cidadão anónimo, avoluma-se o amorfismo do povo e às vezes a força e a voz da maioria silenciosa. Afastam-se as consciências verticais e abatem-se os críticos. E assim ganham terreno e poder as minorias.

    Proença-a-Nova, 22 de Abril de 2019

publicado por AlfBernardo Couto às 19:00
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Ciclone

Ciclone

Alfredo Bernardo Serra

Os tempos e a natureza estão marcados pelo efeito ciclone. No plano da meteorologia, o termo “ciclone” assume várias definições, de que registamos os dois significados mais expressivos: “movimento giratório do ar, numa depressão barométrica, combinado com um movimento de translação; perturbação atmosférica constituída pela associação de uma frente quente, de uma frente fria e um sector quente intermediário, tanto no solo como em altitude.”

Os últimos tempos têm registado uma inusitada frequência de ciclones em diferentes e distantes latitudes e longitudes do globo terrestre, desde os Estados Unidos da América até ao mais recente em Moçambique e terras vizinhas. Dizem os entendidos na matéria, que esta maior ocorrência de furacões é por causa do mal que o Homem faz à Natureza e ao ambiente. Parece que, segundo a palavra de cientistas, a destruição das florestas e a poluição ambiental, de entre outras más práticas humanas, são aquilo que provoca a formação destas terríveis tempestades de chuvas torrenciais e ventos ciclónicos, fenómenos da natureza a que teimosa e levianamente se atribuem nomes dados a pessoas.

É a atribuição de ânimo à coisa, fenómeno que simplesmente é movido por uma dinâmica gerada pela conjugação de factores sobre elementos físicos.

A sociedade foi ao longo dos tempos marcada pela dinâmica própria dos grupos e também dinamizada pela norma reguladora dos papéis, sob o efeito bússola que orienta o peregrino e o explorador por terras desconhecidas. Desde sempre, as sociedades se corporizaram e na busca de carácter colectivo. Com tal propósito, em todas as civilizações se adoptaram padrões de conduta e foi definido um código moral balizador de valores, atitudes e comportamentos individuais e colectivos, para os tempos de paz e na guerra.   Para espanto dos sábios, talvez simplesmente homens e mulheres avisados, porventura ortodoxos, para uns e outros tradicionalistas ou conservadores, quiçá liberais sensatos, o que hoje vai acontecendo à escala mundial no plano da moral e dos costumes mais parece um ciclone social. Assistimos à ignomínia com indiferença, difama-se, calunia-se e rouba-se como se fosse normal e um direito, desviam-se milhões e pratica-se tanto o suborno como a usura na impunidade; mata-se por dá cá aquela palha, `mais pequena trica e mais leve contratempo. A destruição da família natural é propalada a sete ventos por vozes levianas e mentecaptas, gente que noutros tempos por tais “manias” (mania: esquisitice, extravagância, capricho,…) seria internada em manicómio (hospital de alienados).

Para indignação dos letrados e artistas, todo o ignorante na posse de duas letras se atreve a publicar um livro e diz-se escritor; pega num pincel e imita um qualquer douto rupestre, com cinzel esculpe um boneco, abre as goelas em cantoria ao som de alguns desafinados acordes e temos artistas.

Sem estirpe nem linhagem, apresenta-se o cartão da tribo e é-se o que der jeito ao maioral. Veste-se um fato e é-se um “senhor”, com gravata doutor, engenheiro, deputado…, (com título comprado, pois que nunca o seu sapato pisou o tapete da Universidade). Outros há que nas ruas se fazem pregadores sem teologia, enquanto outros nos passos perdidos da política ciclónica são causa da perdição do País.

Em suma, vivemos tempos de ciclones para todos os desgostos. É tempo de acabar com o primado da mediocridade. É urgente pôr fim à prostituição social e política. É imperativo recuperar a Moral e a Justiça. É preciso um ciclone socio-político-cultural que destrua a insanidade e nos devolva o sentido da vida e da dignidade humana.

    Proença-a-Nova, 24 de Março de 2019

publicado por AlfBernardo Couto às 18:59
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nAMORados e amantes

nAMORados e amantes

Alfredo Bernardo Serra

Em a “Criação do Homem”, o poeta António Correia de Oliveira canta: «Após a criação do Homem, surge a Mulher: (…) Adão se entristeceu: ele era só! / E Deus o compreendia… Sim! Eu creio / Que Deus, a vez primeira, teve dó. (…) Fez Deus a linda e frágil Criatura / Sem a qual tudo o mais seria em vão.»

No Séc. III, na cidade de Rom, o sacerdote Valentim, em desobediência ao decreto imperial de Cláudio II, celebrou casamentos de jovens cristãos em segredo. Descoberto, foi preso, torturado e morto no dia 14 de Fevereiro do ano 269.  

Nos tempos de hoje, a economia comercial associou o benefício do lucro financeiro à causa maior do AMOR e fez deste o Dia dos Namorados.

É inegável ser o AMOR o mais belo dos sentimentos e por isso tanto o é o AMOR filial quanto o AMOR do pai e da mãe para com o seu filho É pleno de ternura o AMOR dos avós para os netos. E como é único e genuíno o AMOR de paixão entre dois jovens enamorados. É nesta paixão amorosa que homem e mulher percorrem no tempo a experiência de se descobrirem e conhecerem para uma vida a dois em projecto comum de família.

Na mudança dos ventos nos tempos e dos valores na moral (?), ouve-se hoje designar por namorado ou namorada a pessoa com quem se está “numa relação”, com encontros fortuitos e escondidos, talvez mais ou menos às claras, porque há filhos de casamento rompido e outras razões como a infidelidade. Aprendi, na minha infância, que às pessoas numa tal relação se chamava amantes (no sentido pejorativo do termo). E ainda que amante signifique namorado, a verdade é que sendo namoro o acto de namorar, é por definição «galanteio». Namorar é «cortejar; requestar; cobiçar; apetecer; andar de namoro com; procurar inspirar amor a; pretender o amor de; galantear; cativar; atrair; seduzir; desejar muito; ficar encantado; apaixonar-se» (Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 6.ª edição). Portanto, namoro é, literalmente e na sua expressão real, o tempo de conquista e encantamento que antecede a consolidação da paixão na esperança de que o epílogo seja o casamento. Em síntese, namoro é o tempo da sedução e busca do conhecimento do outro em preparação para o casamento.

Neste entendimento, homem e mulher que vivem a dois no padrão de casal sob o mesmo tecto não serão casal de namorados, mas sim configurados na “união de facto”, numa relação de casal assumido, mas não convencido de estar numa relação com futuro.

É tempo de chamar as coisas pelo que são e significam, é tempo de nos deixarmos de eufemismos, de linguagem manhosa que tenta branquear a ilicitude de comportamentos marginais em negação de valores fundamentais, como a exclusividade da paixão entre homem e mulher. É preciso revalorizar a premência do tempo de namoro, as virtudes do amor e fidelidade conjugal e o conceito de família.

Proença-a-Nova, 24 de Fevereiro de 2019

publicado por AlfBernardo Couto às 18:58
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Em Dezembro

Em Dezembro

Dezembro é o mês último do ano, é tempo de fazer contas à vida e de desenhar cenários de mudança. É dezembro também tempo do caramelo, quando o frio aperta e a noite enregela. Em Dezembro se quebra também o gelo dos corações no calor que dimana do “espírito” do Natal.

Porque este Natal em Dezembro é o do Menino Jesus, os cristãos e até pagãos vivem então o “espírito” do Natal. Em Dezembro, formulam-se votos de boas-festas, agremiam-se amigos, congregam-se profissionais e reúnem-se famílias em ceia de natal e outras festas. Em dezembro, enterra-se o machado de guerra, e do natal se faz folia; ao menos alegra-se a vida e cimentam-se(?) laços de amizade, reforçam-se elos corporativos, fala-se de paz e amor…!

Em dezembro, os políticos da governança local (mesmo os autarcas que se dizem ateus ou agnósticos) gastam rios de euros com a iluminação de ruas, avenidas e praças, luzes de “natal”? que piscam-piscam por entre a vidraça das janelas das instituições públicas, empresas e montras de espaços comerciais. Brilham luzes nas árvores de natal em varandas e por entre as vidraças de solares e lares humildes de pobre. Vislumbram-se aqui e ali pendões que anunciam: Jesus nasceu.

Dezembro é verdadeiramente em cada ano o mês de preparação para o Natal. É o tempo do advento, tempo de esperança vivido em itinerário de fé por quem ansiosamente aguarda a vinda do Salvador. Mas o que podemos fazer para permanecermos focados e prepararmos os nossos corações para celebrarmos verdadeiramente o nascimento de nosso Salvador?

Santa Teresa de Calcutá tem um conselho simples – porém profundo – para vivermos bem este Advento. Diz ela: “O Advento é como a primavera na natureza, quando tudo é renovado, fresco e saudável. O Advento nos refresca, nos torna saudáveis e capazes de receber a Cristo em qualquer forma que Ele venha a nós. No Natal, Ele vem como uma criancinha, pequeno, indefeso e necessitado de sua mãe e de todo o amor que uma mãe pode dar […]. Se realmente queremos que Deus nos preencha, devemos nos esvaziar – por meio da humildade – de todo o egoísmo de dentro de nós. (https://pt.aleteia.org/2018/12/17/..._pt)

Temos, pois, Dezembro como chave de fecho do ano corrente mas também a chave do presépio onde em cada ano se renova a esperança de novos tempos para uma renovada vida nos caminhos da fé cristã.

Em Dezembro, renova-se a pergunta que na canção É tempo de Natal ecoa na voz de Ana Malhoa, em reflexão e projecto de vida: “Então é Natal/E o que a gente fez?/O ano termina/E começa outra vez.”

Proença-a-Nova, 18 de Dezembro de 2018

publicado por AlfBernardo Couto às 18:54
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Política e Paz, Missão e Serviço

Política e Paz, Missão e Serviço

Alfredo Bernardo Serra

Na mensagem para o Dia Mundial da Paz – 1 de Janeiro de 2019 – com o título “A boa política está ao serviço da paz”, o Papa Francisco afirma: “A política é um meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem, mas, quando aqueles que a exercem não a vivem como serviço à coletividade humana, pode tornar-se instrumento de opressão, marginalização e até destruição.”

Na verdade, é muito baixo o grau de confiança da sociedade na «classe política». É comum a palavra dada pelo político em campanha “eleitoral” não ter repercussões práticas no exercício do poder.  É dado adquirido o cidadão comum não acreditar na palavra de político, mas na onda da multidão, lá voga o voto dado àquele que parece ser o menos mau. E assim se vai descredibilizando a nobre e honrosa «arte de governar a Polis».

Parece caracterizar-se hoje a «classe política» pela falta de ética, ausência de sentido de Estado e irresponsabilidade nas decisões nacionais. Também a faculdade camaleónica é uma constante na maioria dos políticos e seus correligionários, a palavra de circunstância é sempre oportuna e privilegiada no discurso, ainda que expresse o contrário de princípios e valores do ideário.

Há, felizmente, boas excepções: homens e mulheres que passa(ra)m pela Política com verticalidade, sem beliscadura na honra, e que primaram pelo serviço à causa comum: a boa gestão do erário público para o bem social!  Homens e mulheres estes que estão na Política com sentido do dever de cidadania e com espírito de missão, certamente políticos que conhecem o pensamento de S. Inácio de Loiola: “Se exerceres um cargo de autoridade, deves possuir muitas qualidades. Mas se não as possuis, que tenhas pelo menos muita bondade.” (Nota: S. Inácio de Loiola foi o fundador dos Jesuítas, congregação do Papa Francisco).

  1. Ibsen afirma que “Mil palavras não deixam nunca uma impressão tão forte como uma acção”. Não sei se o Exm.º Presidente da República Portuguesa conhece este pensamento, mas que lhe tem feito jus é inegável. Para além das palavras, o professor Marcelo Rebelo de Sousa vai ao encontro das pessoas, leva o afecto, vai em pessoa e vê no lugar tanto a tragédia como a expressão do desenvolvimento. É o rosto da esperança, fundado na matriz cristã!

Este ano de 2019 em Portugal registará três actos eleitorais: regionais na Madeira, eleições para o Parlamento europeu e eleições legislativas para a Assembleia da República. Vai este ser um tempo de cada português eleitor, e muito em particular o cristão tomar consciência de que “Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada.” (E. Burke)

Proença-a-Nova, 23 de Janeiro de 2019

publicado por AlfBernardo Couto às 18:53
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