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Sexta-feira, 18 de Junho de 2021

A ser criança

Cont(r)a-corrente

 * Alfredo Bernardo Serra

A ser criança

É corrente dizer-se que uma criança enche uma casa. Na verdade, a presença de uma criança num espaço esbate o ambiente soturno, agita a eventual monotonia, uma criança dá vida aos seus cuidadores. A vida pela criança é para os adultos causa de grande alegria. Por outro lado, é suposto a vida dum novo ser, o nascimento duma criança na família reforçar ainda mais os laços de amor conjugal de que por certo é fruto aquela criança, Assim aumentada a família, deve esta crescer também como comunidade de vida e de amor.

A criança, quando nasce, tem, por direito natural, direito a viver sob o cuidado e a protecção dos pais, num ambiente securizante e harmonioso. Mas nem sempre assim acontece. Pior é nos tempos que vivemos parecer normal não importar a vida da criança. De facto, os indicadores de divórcio são a prova triste e preocupante de que os filhos não são postos em primeiro plano pelos pais que se separam. Toda a separação familiar, seja a partida de familiar para outras paragens, por emigração ou por morte da pessoa próxima e querida, seja uma relação de marido e esposa quebrada por discórdia, infidelidade, traição, falta de amor, é sempre causa de tristeza prolongada, por vezes demasiado duradoira. Muito mais o divórcio dos pais afecta negativamente o equilíbrio psico-emocional de todo o tenro e indefeso ser humano que é ta criança/adolescente e até mesmo do jovem, como também um filho adulto é marcado pela separação dos pais já no outono da vida.

Na Exortação Apostólica “Familiaris Consortio” sobre a Família (22.11.1981), o Papa S. João Paulo II escreve: «Na família, comunidade de pessoas, deve reservar-se uma especialíssima atenção à criança, desenvolvendo uma estima profunda pela sua dignidade pessoal como também um grande respeito e um generoso serviço pelos seus direitos. Isto vale para cada criança, mas adquire uma urgência singular quanto mais pequena e desprovida, doente, sofredora ou diminuída for a criança» (n. 26).

A criança quando nasce, vem ao mundo para ser feliz e, na correnteza da vida, contribuir para a felicidade dos outros. Portanto, a criança tem direito a ser criança no tempo próprio.

O direito a ser criança consubstancia-se no direito a viver na unidade da família patrocinada pela união do pai e da mãe, congregadores do núcleo familiar. A criança deve viver na garantia do direito a que lhe sejam assegurados os cuidados de alimentação, saúde, educação, segurança e conforto, para se desenvolver de forma integral, equilibrada e harmoniosa, em graça, sabedoria e estatura.

A propósito, cito de novo S. João Paulo II: «O acolhimento, o amor, a estima, o serviço multíplice e unitário – material, afectivo, educativo, espiritual – a cada criança que vem a este mundo deverão constituir sempre uma nota distintiva irrenunciável dos cristãos, em particular das famílias cristãs. Deste modo as crianças, ao poderem crescer “em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens”, darão o seu precioso contributo à edificação da comunidade familiar e à santificação dos pais» (ibidem).

Para que a criança cresça em graça, é dever dos pais darem-lhe a (in)formação na dimensão espiritual, numa cultura de valores morais conectores da alma e do espírito na busca do eu espiritual e religioso que é todo o ser humano. Para a criança crescer em sabedoria, é obrigação dos pais, família, aldeia, Estado, assegurarem a educação e ensino na transmissão de valores-padrão que regem a tribo/sociedade; é dever da família e do Estado garantir à criança os meios de aquisição do conhecimento e da cultura que promovem o progresso e o desenvolvimento. Para a criança crescer em estatura deve-lhe ser garantido, desde logo, o direito à vida digna: afecto, alimentação, cuidados de saúde. O crescer em graça, sabedoria e estatura depende plenamente do simples facto de a criança ser respeitada como pessoa, de viver no direito a ser criança. A ser criança que se sente amada pelos pais, que é querida pela família, que é respeitada nos seus tempos e ritmos de vida em transformação e aprendizagem, criança que tem tempo para fazer birras e chorar por nada, por necessidade interior, e por isso a ser acarinhada no colo que lhe dá segurança e conforto.

A criança deve viver a infância a ser criança que tem tempo para brincar e aprender a ser gente.

Proença-a-Nova, 22 de Maio de 2021

(Publicado no Jornal Ecos da Sobreira, maio 2021)

publicado por AlfBernardo Couto às 20:12
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