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Segunda-feira, 14 de Junho de 2021

Em vez do Pai Natal, o Menino

Em vez do Pai Natal, o Menino

Eram os últimos dias de Outubro e já na rádio passava spot publicitário de natal. Ainda estávamos nos dias dos Santos e dos fiéis defuntos e já nos Centros Comerciais se viam cartazes a anunciar a chegada do Pai Natal e montras com enfeites natalícios.

Desde há algumas décadas, a figura do Pai Natal tem vindo a ser associada por inteiro à identidade própria e singular do Natal, em tamanha escala de apropriação como se o Pai Natal fosse a origem e toda a essência da Festa do Natal.

Na minha infância, desde a mais tenra idade as crianças ouviam dizer que o Natal era a Festa do nascimento do Menino Jesus. E que os presentes no sapatinho que à noite deixava ao pé da lareira, estavam lá na manhã de Natal porque o Menino Jesus viera pela chaminé e os deixara lá no sapatinho ou na bota.  E porque os tempos eram de austeridade, a vida de trabalho era dura e o dinheiro não abundava, a família era numerosa…, os presentes no sapatinho eram uma laranja ou tangerina, um pião, com sorte uma pequena moeda de 25 tostões, talvez umas peúgas ou uma camisola que se convertiam em presente de natal porque há muita em necessidade. Só mais tarde apareceram os chocolates em figura de sininhos e do Pai Natal.

As famílias comiam a Ceia de Natal na noite de 24 de Dezembro, cujo fim ocorria até pelo menos uma hora antes da Missa do Galo, celebração a que ía a família toda. Era neste ritual litúrgico da Missa do Galo que então a criançada interiorizava a razão de ser da festa de Natal pela observação do presépio na Igreja e no “beijar o Menino” no final da Missa do Galo, e depois no fim de cada missa dominical até ao Dia de Reis.

Infelizmente, hoje muitas crianças não têm estas vivências porque não há a prática de participação na Santa Missa, ou porque a coitada da criança tão indefesa não deve ser exposta ao ambiente numeroso de pessoas, como assembleia de fiéis numa igreja,… Mas o desconhecimento ou equívocos sobre o Natal são consequência, sobretudo, pela negação da dimensão espiritual do ser humano, porque na “festa de Natal” o foco é colocado na dimensão da matéria e do brilhantismo para dar nas vistas, na fruição absoluta do ócio, do prazer e das coisas do mundo que garantem a alegria e satisfação imediatas, a sedução das luzes e do néon, os presentes muito caros e da última moda.

É tempo de inverter esta cultura da negação da essência das coisas e do genuíno. É urgente repor a verdade dos factos e a beleza da festa na fidelidade aos acontecimentos históricos e no espírito que lhes preside. É hora de o Natal ser proclamado como a festa cristã do Nascimento do Menino-Deus que assumiu a condição humana para redenção da humanidade e renovação da Aliança de Deus com os Homens na realização do projecto de Salvação.

Há mais de dois mil anos, em Belém da Judeia, nascia este Menino Jesus numa estrebaria, com manjedoura e palhas por berço. Avisados por um anjo, ali acorreram pastores com presentes (Lc 2, 8-16); mais tarde chegaram os Reis Magos guiados pela estrela do Oriente, que ao Menino ofereceram ouro (porque rei), mirra (porque homem) e incenso (porque Deus) (Mt 2,10-11). É esta a origem e fundamento dos presentes de Natal. A figura do Pai Natal que entrega presentes personifica o bispo Nicolau de Mira (século III-IV d.C, Ásia Menor, hoje Turquia), que na sua bondade e elevado sentido da caridade, incógnito e discretamente, deixava à porta, - diz a lenda - lançava saco de dinheiro pela chaminé das famílias pobres e das crianças desvalidas.

Portanto, se é saudável a figura do Pai Natal na dimensão sócio-caritativa, mais importante e fundamental é associar os presentes de Natal ao belíssimo acto dos pastores que levaram ao recém-nascido do que havia: leite e anhos. É também tempo urgente de tomar por referência a sabedoria que aos magos permitiu reconhecer a realeza daquele Menino (o ouro) e com discernimento profético contemplar as duas naturezas de Jesus: a humana (a mirra) e a divina (o incenso). Logo, é tempo de o Pai Natal ser remetido a segundo plano e no mundo se dar o lugar e o espaço devidos ao Menino Jesus, merecedor de todos os nossos presentes no amor ao próximo, como Ele nos amou.

Proença-a-Nova, 25 de Novembro de 2019

 

Natal de ter e haver

                   No frio escuro da gruta

                    Lá no oriental fim do mundo

                    Nasceu ao brilho da lua

                    O Deus - Menino - Jesus

 

                                                              Nas profecias anunciado Redentor

                                                              Para remissão do pecado original.

                                                              Veio ao Mundo o Messias-Salvador

                                                              Feito Deus Homem sem igual.

 

                     Trouxe à Terra a bela mensagem

                     De Paz e Amor, hossanas à Vida!

                     Porém, volvidos já dois milénios,

                                                   

                                                    De Cristo quase só resta a homenagem

                                                    Em memória do Seu Natal, um dia

                                                    De ter e haver, não de viver fraterno.

                                                                                  1999-12-08 Aelf Raed

publicado por AlfBernardo Couto às 19:15
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