.posts recentes

. SOMOS MODERNOS

. GÉNESIS - A natureza do s...

. No rescaldo do Verão

. Perigosa abstenção

. MISSÃO FAMÍLIA: F.E. – Fo...

. A Vida é fogo que arde… I...

. A Infância da Vida

. NATAL EM MIM

. É o NATAL do Menino Jesus

. NATAL de Belém ao Céu

.arquivos

. Maio 2018

. Dezembro 2016

. Dezembro 2015

. Julho 2015

. Dezembro 2014

. Setembro 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Abril 2013

. Dezembro 2012

. Agosto 2012

. Março 2012

. Janeiro 2012

. Novembro 2011

. Dezembro 2010

. Maio 2009

. Abril 2008

. Outubro 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Fevereiro 2007

. Abril 2006

Segunda-feira, 21 de Maio de 2018

Apetece-me fugir de casa…

Crónicas da condição humana - CXVI

 

Apetece-me fugir de casa…

Alfredo Bernardo Serra

É da condição humana a necessidade de ambiente marcado pela paz, harmonia e serenidade nas relações interpessoais e na Casa Comum, o território do seu Povo. Neste contexto, é intrínseco ao ser humano o sentimento do Amor manifesto nos gestos e atitudes de carinho, afecto, respeito… e na expressão maior do amor manifestada na paixão entre homem e mulher. Nesta condição humana da vida sustentada no pilar do Amor, importa haver esteios de confiança e de segurança. Esta condição é imanente à família e também na relação do indivíduo com o grupo de que se sente membro, da pessoa com o seu Povo e do cidadão com o Estado.

Talvez porque estes sentimentos estão hoje generalizadamente diminuídos na sua valoração pessoal e social, - parece que até os sentimentos são descartáveis ou supérfluos no viver quotidiano-, ouvesse recorrentemente aqui e ali alguém dizer coisas do tipo: estou farto disto, não te quero ver mais, apetece-me fugir… Infelizmente, são muitos os casos em que a palavra se faz acto, e lá vem a fuga para a frente; eis então a pessoa em situação de desespero e angústias existenciais concretizadas no abandono do lar e da família, divórcio, demissão do cargo, depressão, homicídio, suicídio.

Há algum tempo, uma criança dizia: às vezes só me apetece fugir de casa. O que levará uma pequena criança a expressar tal sentimento na sua ingénua e inocente infantilidade tão vilmente marcada pela desesperança, uma vida ainda curta tão afectada pelo desencanto no viver humano? Esta criança vai crescendo num lar de quotidiano agitado e de relações interpessoais sob tensão e conflito frequente), família ‘desestruturada’; a criança há anos que não se relaciona com o pai “biológico”, e a relação com o padrasto é frívola; o clima familiar parece não oferecer paz, serenidade e segurança a ninguém. Em consequência, esta criança tem uma necessidade extrema de afecto e compreensão, gosta de ser escutada. Certamente, para além destas percepções e evidências, haverá outras razões fortes para na solidão do deserto afirmar com tristeza no olhar: às vezes, apetece-me fugir de casa.

Infelizmente, muitas outras dramáticas histórias de vida na infância aqui poderia croniquizar. Ou, quiçá, histórias de vida que pela negação absoluta da mais elementar condição humana redundaram em tragédia. Num ou noutro caso, quase sempre a culpa morre solteira, nem os pais adultos nem o Estado são devidamente responsabilizados em toda a dimensão do caso, seja na omissão e negligência, seja pela acção irresponsável, decisão e atitudes não concorrentes para o bem-estar da pessoa à sua guarda e soberana tutela.

Apetece-me fugir: pela falta de respeito e ausência de garantia de segurança, saúde, educação,… do bem-estar pessoal e colectivo; devido à absoluta falta de paz e de trabalho, pelo recorrente desrespeito aos mais elementares direitos fundamentais do ser humano no seu país. Por estas e outras causas são hoje tantos os milhares de migrantes, aqueles que de tantas vezes ter sentido vontade de fugir e porventura haver dito: apetece-me fugir, um dia, movidos pela sede de justiça, impelidos pelo desejo de outra e melhor condição de vida, bateram com a porta, deixaram tudo e partiram, velhos e novos, para outras paragens, ao encontro das terras de leite e mel, em busca da Terra Prometida. Deste fluxo migratório resulta o efeito directo na redução nos indicadores de desemprego no seu país, e poucos benefícios a posteriori.

É tempo de políticos, ideólogos, sociólogos, antropólogos e o cidadão comum convergirem no pensamento e na acção para a dignidade humana no respeito pela vida toda, para que ninguém tenha necessidade de deixar o seu lar e muito menos de fugir da vida! É urgente devolver aos povos e a cada pessoa a Esperança e a Alegria de viver!

                                                                 Proença-a-Nova, 22 de Fevereiro de 2018

publicado por AlfBernardo Couto às 11:14
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Maio 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
18
19
20
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
blogs SAPO

.subscrever feeds