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Segunda-feira, 21 de Maio de 2018

MUDAR O DESERTO

Crónicas da condição humana - CXV

MUDAR O DESERTO                                    

                                                                                                                 Alfredo Bernardo Serra

É da condição humana, de vez em quando, acontecer uma travessia do deserto. Por travessia do deserto entenda-se tempo de crise, experiência existencial menos boa, de incómodo e angústias interiores… No entendimento de deserto como terreno árido, “região extremamente seca, com vegetação xerófila. Rudimentar e reduzida, região desabitada, lugar despovoado ou pouco frequentado; ermo; solidão; solitário; abandonado;…”, onde ocorrem tempestades de vento e de areia, perigos diversos como as areias movediças e outras intempéries.

Assim é na vida de cada ser e nas sociedades. Qual deserto se nos apresenta por vezes e nestes tempos a organização e o viver social nas suas principais dimensões: do areópago da política ao campo do desporto; do circuito comercial à logica do investimento empresarial; do púlpito eclesial aos palcos de seitas e tendas de circo. No deserto em que se converteu este mundo dito civilizado da era computacional em alto nível tecnológico, impera a lei da selva, a cultura do salve-se quem puder, onde parece que tudo vale, não se olha a meios para atingir os fins. Vive-se solitariamente na multidão. O isolamento é marca num qualquer grupo anestesiado nos elevados decibéis do ruído ou controlado pela dinâmica agitada dos dedos polegares e indicador apontados ao teclado. O debate de ideias é tão vago quanto inócuo mas sociologicamente mortal a médio/longo prazo no risco da omissão e no efeito perverso do vazio, tanto quanto é perigosa a indiferença perante o galopar duma determinada escala de opiniões fundadas num certo espectro de valores em negação dos alicerces sociais e do conteúdo essencial do núcleo social, dos arquétipos de comunidade e sua célula com é a família, os conceitos de Povo, Nação e Pátria. Sobrepõe-se a razão ao coração; valoriza-se todo o cientismo em detrimento da moral e da ética; opõe-se conhecimento científico de per se à norma sócio-moral e ao fundamento religioso; mata-se toda a tradição em nome do progresso; esvazia-se a história do povo em nome da nova mentalidade.

À escala global, dos países mais ricos aos impérios da escravatura e paraísos fiscais, do proxenetismo e cartéis disto e daquilo, domina a cultura da passerelle e do voyeurismo sem medida; a ânsia voraz do enriquecimento e a sede de Poder justificam todos os golpes e atropelos, traições e vilanagem.

Neste deserto falta a marca de ideologia verdadeira nos princípios, séria e honrada na palavra e fiel à essência da humanidade; falta gente de carácter nobre capaz de pôr cobro à baixa política e à verdade na prática desportiva; precisa-se duma revolução moral, como bem e sabiamente lembra(va) o Padre Manuel Antunes em ‘Repensar Portugal’: «Uma revolução moral é necessária. Para que a “antiga” sociedade não volte e a “nova” não continue a ser esse misto de ódios e de antagonismos, de oportunismos, de facciosismos, de utopismos e de caotismos que ela tem sido até agora. Uma revolução moral que se deixe inspirar e orientar pelos princípios e valores da justiça, da solidariedade, da liberdade e da honestidade. Uma revolução moral que seja, no entanto, realista, renovando as instituições existentes – e não apenas mudando-lhes os nomes – e criando outras que se imponham. Uma revolução moral que tenha a coragem de afirmar na prática, dentro da sensatez e dentro do equilíbrio, a norma retórica da coactividade do Direito. Uma revolução moral que estabeleça o primado da produtividade sobre a propriedade – estatal ou outra -, da cultura sobre a economia, do ser sobre o ter, da comunidade sobre a sociedade”.

É urgente mudar o deserto onde se vive tão solitariamente nesta aldeia global em solidão. É preciso acionar os imperativos de conduta na valorização do que é inerente à vida e próprio da individuação, do que é legítimo e conforme ao direito natural e à dignidade humana, na garantia do equilíbrio e do futuro de esperança, para a felicidade individual e colectiva, em prol do bem-estar comum e social.

                                                                Proença-a-Nova, 22 de Janeiro de 2018

publicado por AlfBernardo Couto às 11:17
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